Rã-flecha e epibatidina: entenda por que a toxina encontrada em amostras relacionadas à morte de Navalny indica origem na América do Sul, efeitos e riscos

Investigação aponta presença de epibatidina, toxina típica de rã-flecha da América do Sul, e especialistas explicam origem, potência e risco para seres humanos

A presença de uma toxina ligada a rãs da floresta amazônica reacende dúvidas sobre o caso do opositor russo, e levanta questões sobre como esse veneno age no corpo humano.

Autoridades de cinco países informaram que amostras retiradas do corpo indicaram epibatidina, substância encontrada em rãs-flecha, e que não ocorrem naturalmente na Rússia.

As informações são baseadas em análises citadas pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1.

O que são as rãs-flecha

As rãs-flecha formam um grupo de anfíbios da família dos dendrobatídeos, com dezenas de espécies distribuídas pelas florestas tropicais da América Central e da América do Sul, incluindo o Brasil.

Diferentemente de muitas outras rãs, elas exibem cores vibrantes, como amarelo, vermelho, verde e azul, em uma estratégia chamada coloração de advertência, que sinaliza perigo a predadores.

Como surge a epibatidina e por que é tão potente

A origem exata da toxicidade ainda é estudada, mas a hipótese predominante é que as rãs acumulam alcaloides a partir da dieta, ao consumir formigas, cupins e besouros que contêm compostos tóxicos.

Na natureza, essas substâncias são armazenadas na pele do anfíbio, e povos indígenas usaram secreções para envenenar pontas de dardos de caça, origem do nome rã-flecha.

Um único desses anfíbios pode produzir até 1900 microgramas deste veneno intenso, o que o torna 20 vezes mais tóxico do que outros sapos.

Risco para humanos e modo de exposição

Para que a epibatidina seja letal a humanos, é necessário contato direto com quantidade suficiente da toxina, geralmente por contato cutâneo com pele lesionada ou por ingestão, e em casos históricos por aplicação em pontas de armas de caça.

Indivíduos criados em cativeiro, alimentados com dieta diferente, tendem a perder grande parte da toxicidade, o que reforça a ligação entre alimento e acúmulo do veneno na pele.

Contexto do caso e investigações em curso

Segundo as notas divulgadas por cinco países, análises de amostras do cadáver de Alexei Navalny encontraram epibatidina, e os peritos destacam que essa substância é típica de animais da América do Sul e, portanto, incomum em ambientes russos.

Especialistas afirmam que a detecção da toxina exige explicações sobre cadeia de custódia das amostras e possíveis fontes de contaminação, e as investigações seguem para tentar esclarecer como a substância teria chegado ao local.

O caso permanece sob análise por autoridades e por peritos independentes, enquanto a comunidade científica reforça a necessidade de avaliações toxicológicas detalhadas para confirmar doses e vias de exposição.