quinta-feira, junho 4, 2026

Racionamento de combustível em Cuba atinge nível mais grave em décadas, população volta a cozinhar com lenha e país se prepara para cenário de ‘combustível zero’

Share

O governo limita vendas e prioriza serviços essenciais, enquanto a população improvisa cozinhas a lenha, acumula água e depende de remessas para sobreviver

Nas ruas ainda há movimento, mas a rotina mudou, com redução do tráfego e longas filas nos caixas eletrônicos, e muitos se preparando para uma situação mais dura.

Famílias relatam voltar a cozinhar com carvão e lenha, e autoridades retomam planos criados nos anos 1990 para enfrentar um possível cenário de “combustível zero”.

Conforme informação divulgada pelo g1, o presidente Miguel Díaz-Canel disse, “Vamos viver tempos difíceis”, ao anunciar um plano extraordinário de economia de energia.

Causas da crise e pressão internacional

O desabastecimento atual combina problemas internos de geração de energia, com usinas termoelétricas antigas e falta de divisas para comprar petróleo, e pressões externas recentes.

Após a captura do então presidente venezuelano, o governo dos Estados Unidos publicou medidas para dificultar o acesso da ilha ao combustível, e o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a países que enviem petróleo a Cuba, o que complicou o abastecimento vindo da Venezuela e do México.

Em reação, o México enviou ajuda alimentar em dois navios com pouco mais de 800 toneladas, e anunciou mais carregamentos, enquanto jornais russos informaram que a Rússia pretende enviar petróleo à ilha.

Como a população está se adaptando

Muitos cubanos reaprenderam técnicas do passado, adaptando casas e rotinas, e mostrando criatividade, mas a situação pesa, especialmente para quem não recebe remessas do exterior.

Testemunhas relatam cozinhar com carvão e lenha para várias famílias, acumular água, usar lâmpadas e carregadores portáteis, e lidar com fuligem e fumaça dentro de casa.

Uma moradora afirmou que, “de forma parecida com três décadas atrás, sofremos cortes de eletricidade de até 18 horas nas últimas semanas, em mais de uma ocasião”, frase que ilustra a gravidade dos apagões recentes.

Impacto econômico e bem-estar social

A crise atinge desigualmente a população, e muitos vivem com renda muito baixa, o que amplia a sensação de colapso mesmo que o PIB não caia na mesma magnitude dos anos 1990.

Segundo dados citados pelo g1, o salário mensal médio é de 6.830 pesos cubanos, (US$ 14 pelo câmbio informal, cerca de R$ 73), e preços de itens básicos pesam fortemente no orçamento, pois “uma garrafa de óleo custa cerca de US$ 2,50 (R$ 13) e uma caixa com 30 ovos, quase US$ 6 (R$ 31)”.

O professor Michael Bustamante, da Universidade de Miami, destacou, “Entre 1991 e 1994, o PIB desabou em mais de um terço”, e, sobre o momento atual, apontou que, “Da pandemia para cá, calcula-se uma deterioração de cerca de 11%”, o que ajuda a explicar a sensação de fragilidade, mesmo com diferenças na magnitude das crises.

Riscos imediatos e cenários à frente

O governo aplica um plano que restringe o uso de combustíveis a atividades essenciais, prioriza serviços e estimula trabalho remoto e aulas semipresenciais, enquanto retoma a ideia da “opção zero” criada nos anos 1990.

Além das medidas oficiais, cresce a apreensão sobre possíveis desdobramentos, inclusive temores de crise humanitária, embora especialistas ressaltem que o impacto pode ser desigual, beneficiando quem tem acesso a remessas ou renda privada.

Em meio ao cenário, organizações e governos estrangeiros avaliam envio de ajuda humanitária, incluindo alimentos e remédios, enquanto a população se prepara para rotinas mais austeras e para a possibilidade real de racionamento de combustível em Cuba se intensificar.

Leia Mais

Fique por dentro