quinta-feira, junho 4, 2026

Racionamento de combustível em Cuba em 2026, risco de ‘combustível zero’ e impactos na vida diária, cortes de luz, cozinha a lenha e pressão dos EUA

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Como o racionamento de combustível em Cuba força famílias a cozinhar com lenha, reduzir transporte e enfrentar apagões enquanto Havana anuncia plano de economia

A crise de falta de combustível e de energia em Cuba se intensificou desde meados de 2024 e, em 2026, aproxima-se de um cenário classificado pelo governo como o mais grave em décadas.

Moradores relatam cozinhar com carvão e lenha para várias famílias, cortes de eletricidade de até 18 horas e transporte reduzido, enquanto autoridades anunciam medidas de economia e priorização de serviços essenciais.

Toda essa situação, e as medidas externas citadas como fator agravante, foram detalhadas em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1.

O dia a dia sob o racionamento

Em bairros de Havana, cozinhas improvisadas reapareceram, e vizinhos se revezam para alimentar três ou mais famílias com fogo de lenha, como descrevem testemunhos coletados pela imprensa. A falta de combustível alterou a rotina escolar, e pais dizem que crianças chegam em casa sem luz para estudar ou brincar.

Alguns se preparam com aparelhos recarregáveis, acumulam água, ou mantêm ventiladores e lâmpadas portáteis, enquanto outros não têm esse suporte e dependem apenas da renda local. O salário médio informado pelo Escritório Nacional de Estatísticas e Informações da República de Cuba, segundo a reportagem, é de 6.830 pesos cubanos (US$ 14 pelo câmbio informal, cerca de R$ 73), e itens básicos têm preços altos, por exemplo, uma garrafa de óleo custa cerca de US$ 2,50, e uma caixa com 30 ovos, quase US$ 6.

Recordações do Período Especial e limitações atuais

Muitos cubanos comparam a crise atual ao chamado Período Especial dos anos 1990, quando a queda da União Soviética provocou escassez severa. Para alguns, a situação parece mais grave agora, por partir de uma base econômica já debilitada e por haver desigualdade crescente entre quem recebe remessas e quem depende apenas do salário local.

O presidente Miguel Díaz-Canel resgatou o conceito de “opção zero”, criado nos anos 1990, para lidar com um possível cenário de “zero petróleo”. Em discurso no início de fevereiro, ele afirmou, “Vamos viver tempos difíceis”, ao anunciar um plano extraordinário de economia de energia.

Fatores externos e medidas que complicam o abastecimento

Segundo a reportagem, a situação se agravou após a captura do então presidente venezuelano, e ações dos Estados Unidos tentaram reduzir o acesso de Cuba a combustível, com ameaças de tarifas a países que enviassem petróleo à ilha. O governo dos EUA também reverteu medidas de abertura anteriores e incluiu Cuba em lista de países patrocinadores do terrorismo em atos anteriores, segundo o texto.

O México enviou dois navios com pouco mais de 800 toneladas de alimentos como ajuda humanitária, e anunciou mais 1.500 toneladas em carregamentos futuros, conforme informação divulgada pelo g1. Também há menções a notícias internacionais sobre a possibilidade de Rússia enviar petróleo para Cuba, e a investigação de um incêndio numa refinaria em Havana, cujo impacto ainda é apurado.

Consequências sociais e cenários políticos

Apenas parte da população tem acesso a remessas ou a negócios privados que permitem amenizar a crise. Muitos, porém, enfrentam longos apagões, impossibilidade de deslocamento, e dificuldade para manter estudo e trabalho, diante de transportes limitados.

Analistas citados na reportagem dizem que, embora a queda percentual do PIB não seja da mesma magnitude dos anos 1990, a percepção pública é de maior gravidade, por se somar a uma fragilidade econômica contínua. Há, ainda, debate sobre se as pressões externas visam forçar mudanças políticas ou se resultam em sofrimento generalizado sem alterar a gestão do país.

O presidente afirmou, segundo o g1, “Cuba está disposta a um diálogo com os Estados Unidos sobre qualquer assunto”, e acrescentou, “sem pressões”.

Para as famílias, o desafio imediato é sobreviver aos cortes e ao racionamento, adaptando rotinas, recorrendo a combustíveis alternativos e contando com solidariedade comunitária, enquanto especialistas e governos acompanham se haverá agravamento para um cenário de “combustível zero”.

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