Reag e Banco Master, liquidação pelo BC e operação da PF, entenda por que a gestora entrou no radar e os elos com bloqueios superiores a R$ 5,7 bilhões

Investigação da Polícia Federal incluiu 42 mandados, apreensão de R$ 97,3 mil e levou o Banco Central a decretar liquidação da CBSF, antigo nome da Reag, após constatar irregularidades

A entrada da gestora no foco das investigações começou a ganhar contornos públicos com a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal contra supostas fraudes no Banco Master.

A ação envolveu mandados de busca e apreensão e medidas de sequestro e bloqueio de bens que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões, e incluiu apreensão de R$ 97,3 mil em espécie.

Na sequência das medidas da PF, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos, aprofundando a conexão entre a gestora e as apurações, conforme informação divulgada pelo g1.

Quem é a gestora e por que chamou atenção

A empresa, fundada em 2013 por João Carlos Mansur, chegou a figurar entre as maiores gestoras independentes do país, e chegou a administrar R$ 299 bilhões de recursos de pessoas físicas, empresas e institucionais.

A Reag se destacou por ser a primeira gestora de patrimônio a abrir capital na B3, por aquisições que ampliaram sua presença no mercado, e por integrar um grupo com outras empresas, como a Reag Capital Holding e a CiabraSF.

Como a operação da PF vinculou a Reag ao Banco Master

Na segunda fase da Operação Compliance Zero, alvos incluíram empresários e executivos ligados ao Master e endereços de pessoas associadas à antiga estrutura da gestora, entre eles João Carlos Mansur.

Por autorização do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão, além de ordens de sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a Polícia Federal, superam R$ 5,7 bilhões, e, durante a operação, agentes apreenderam R$ 97,3 mil em dinheiro em espécie.

Decisão do Banco Central e os fundamentos oficiais

O Banco Central informou que determinou a liquidação extrajudicial da CBSF, antiga Reag Investimentos, após constatar descumprimento de normas legais e prudenciais, e apontou “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.

A autarquia esclareceu que a medida interrompeu as atividades da instituição como administradora e gestora, e que os fundos vinculados à empresa permanecem, mas deverão ser transferidos para outras instituições habilitadas.

O BC também destacou que a instituição estava enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, voltado a empresas de pequeno porte, e que esse grupo representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN, ao mesmo tempo em que informou que seguirá apurando responsabilidades e poderá adotar sanções administrativas.

Posicionamento da Reag e próximos desdobramentos

Procurada, a empresa não se manifestou até o fechamento da reportagem, mas a holding manteve no site um comunicado em que afirma que “atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação e a regulação aplicáveis ao sistema financeiro e de capitais, sob a supervisão permanente de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central”.

No mesmo texto, a companhia declarou, na íntegra, “A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos.”

O comunicado da Reag lista ainda compromissos com compliance, governança e KYC, e afirma que está colaborando “de forma ampla e proativa com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos, convicta de que sua isenção e integridade serão plenamente reconhecidas”.

Com a liquidação, investidores e cotistas dos fundos administrados pela gestora terão de acompanhar transferências e readequações de gestão, enquanto a investigação da Polícia Federal e as apurações do Banco Central podem gerar novos desdobramentos, inclusive medidas sobre bens de controladores e ex-administradores.