quinta-feira, junho 4, 2026

Reag Investimentos: fundador investigado pela PF deixa a gestora, Arandu Partners assume controle e BC liquida a CBSF DTVM, entenda impactos para cotistas

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Venda de 87,38% para a Arandu Partners, saída de João Carlos Mansur e decisão do Banco Central sobre a CBSF DTVM marcam nova etapa da Reag Investimentos

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, empresa que administrava fundos do grupo.

A ação do BC ocorre após apurações da Polícia Federal que motivaram a saída do fundador e então presidente do conselho, João Carlos Falbo Mansur, e a venda do controle da gestora para a Arandu Partners Holding S.A.

As medidas podem congelar operações na DTVM e forçar a transferência dos fundos, mas especialistas afirmam que há regras de segregação patrimonial que protegem os cotistas, conforme informação divulgada pelo g1.

Como ocorreu a mudança de controle

Em setembro do ano passado, João Carlos Falbo Mansur formalizou sua saída da administração da Reag Investimentos em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal.

No mesmo período, Mansur vendeu o controle da gestora para executivos da própria empresa, por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital, em operação estimada em R$ 100 milhões.

Com a transação, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, que trocou o ticker na bolsa para ARND3 em dezembro de 2025, substituindo o antigo REAG3.

O que muda para os cotistas dos fundos

Segundo especialistas, a principal proteção para os investidores é a segregação entre o patrimônio dos fundos e o patrimônio da administradora.

Na avaliação de Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”.

Bolico acrescentou que o liquidante nomeado pelo BC deve convocar assembleia para transferir os fundos a outra administradora, e que “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”.

Investigações em curso, Banco Master e Operação Carbono Oculto

A gestora é alvo da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, e da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, no setor de combustíveis.

As investigações apontam que a Reag teria sido usada para estruturar fundos e executar operações que, segundo as apurações, poderiam servir para ocultar riscos ou patrimônio, envolvendo circulação de recursos entre fundos e instituições financeiras.

João Carlos Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, o que antecedeu sua saída e a reorganização societária do grupo.

Decisão do BC, efeitos e próximos passos

O Banco Central alegou descumprimento de regras legais e prudenciais que comprometeram a capacidade da DTVM de operar de forma segura e conforme a lei, e decretou a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM.

O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que significa que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.

Com a liquidação, o liquidante nomeado pelo regulador administrará a transferência dos fundos para administradoras saudáveis, e as operações da DTVM ficarão suspensas até que as decisões sejam tomadas em assembleias específicas.

A Reag Capital Holding, que deixou de ser companhia aberta em setembro e teve o registro cancelado na CVM em outubro de 2025, afirmou que a decisão fazia parte de uma reorganização societária, e nega envolvimento com organizações criminosas, afirmando atuar dentro da lei e colaborar com as autoridades.

O desfecho das investigações e os movimentos do Banco Central e da Justiça definirão se os fundos seguem preservados ou se haverão perdas, dependendo do que for apurado sobre eventuais irregularidades nas carteiras.

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