Reag Investimentos, fundador investigado sai, Arandu Partners assume controle e Banco Central decreta liquidação extrajudicial da CBSF DTVM

O Banco Central decretou a liquidação da CBSF DTVM, antiga Reag Trust, e cotistas veem resgates congelados enquanto a gestora, sob Arandu Partners, enfrenta apurações da PF

A liquidação extrajudicial atinge a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, responsável por administrar fundos do grupo.

Desde a venda do controle, a gestora opera com nova estrutura acionária, mas a decisão do Banco Central congelou operações até definição do liquidante.

O processo envolve investigações da Polícia Federal e a saída do fundador João Carlos Falbo Mansur, conforme informação divulgada pelo g1

O desmonte da Reag e a saída do fundador

Em 2025, a companhia passou por um processo de desmonte após operações da Polícia Federal que miraram suposto uso da gestora em esquemas de lavagem de dinheiro. A Reag Capital Holding deixou de ser companhia aberta e teve o registro cancelado na Comissão de Valores Mobiliários em outubro de 2025, tornando-se de capital fechado.

No avanço das investigações, mandados de busca, saídas de executivos e a venda do controle marcaram o fim da estrutura anterior. João Carlos Falbo Mansur formalizou sua saída da administração em setembro de 2025, em meio ao avanço das apurações.

Venda do controle e nova estrutura societária

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora por meio da Arandu Partners Holding S.A., que adquiriu cerca de 87,38% do capital em uma transação estimada em R$ 100 milhões. Com isso, a Arandu passou a controlar a gestora, e a companhia passou a negociar na bolsa com o ticker ARND3 desde dezembro de 2025.

Dentro do grupo, a Reag Trust DTVM, rebatizada como CBSF DTVM, era a unidade responsável por administrar fundos e executar operações financeiras sob fiscalização do Banco Central.

Efeitos da liquidação da CBSF DTVM para cotistas

Segundo o advogado Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas têm proteção por segregação patrimonial. “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, afirmou.

Bolico explicou que o liquidante nomeado pelo Banco Central vai convocar assembleia para transferir fundos para outra administradora saudável, e que, até lá, “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”.

O Banco Central também classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que significa que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.

Investigação da Polícia Federal e ligações com o Banco Master e Carbono Oculto

A Reag Investimentos aparece em pelo menos duas frentes de investigação da Polícia Federal. Na Operação Compliance Zero, apura-se suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, em que a gestora teria participado na estruturação de fundos, com circulação atípica de recursos entre fundos e a instituição financeira.

Em outra frente, a Operação Carbono Oculto investiga esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis. A gestora é citada como prestadora de serviços a fundos que, segundo a Receita Federal, teriam sido usados para ocultação de patrimônio da facção.

O caso segue sob apuração, com medidas administrativas do Banco Central e procedimentos da Polícia Federal para esclarecer responsabilidades, enquanto cotistas e o mercado aguardam as decisões do liquidante e das autoridades.