Reag Investimentos: liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central após investigações, fundador sai, Arandu Partners assume controle e cotistas têm resgates congelados

O Banco Central determinou a liquidação da CBSF DTVM, ex-Reag Trust, após apurações da Polícia Federal; entenda quem controla hoje a gestora, os riscos para cotistas e os próximos passos

A decisão do Banco Central provocou mudança imediata na operação da gestora que administrava fundos do grupo Reag, com impactos diretos nas operações da DTVM e nos prazos para resgates e aplicações.

O fundador e ex-presidente do conselho, João Carlos Falbo Mansur, deixou a companhia em setembro de 2025, no curso das investigações que envolveram a gestora em duas operações da Polícia Federal.

Conforme informação divulgada pelo g1, a liquidação atinge a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust DTVM, e aciona mecanismos de proteção e transferência dos fundos administrados.

O desmonte da Reag e a saída do fundador

A partir de setembro de 2025, o grupo vivenciou um processo de desmonte, que incluiu a saída de executivos, mandados de busca e apreensão e a retirada do registro da Reag Capital Holding na CVM. Em nota à época, a companhia afirmou que a mudança fazia parte de uma reorganização societária.

João Carlos Falbo Mansur foi alvo de mandados na segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e formalizou sua saída da administração em setembro, conforme relatos sobre o avanço das investigações.

Venda do controle para a Arandu Partners

Em setembro de 2025, Mansur vendeu o controle da Reag Investimentos para um grupo de executivos da própria gestora, por meio da Arandu Partners Holding S.A. A operação transferiu cerca de 87,38% do capital, em um negócio estimado em R$ 100 milhões.

Com a transação a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, e desde dezembro de 2025 a companhia negocia na bolsa sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. No grupo, a empresa que administrava fundos, a Reag Trust DTVM, foi rebatizada como CBSF DTVM.

Efeitos da liquidação da CBSF DTVM para cotistas

Em nota, o Banco Central alegou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei“, justificando a liquidação extrajudicial.

Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional“, o que significa que resgates e aplicações ficam suspensos até decisão sobre a transferência dos fundos.

Bolico acrescentou que “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado“.

O Banco Central classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, observando que o caso “não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”.

Suposto envolvimento com o Banco Master e outras investigações

A Reag Investimentos aparece nas apurações da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, e na Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis.

As investigações levantam a hipótese de que a gestora teria participado da estruturação e administração de fundos usados em operações tidas como atípicas, inclusive com circulação de recursos entre fundos e o próprio banco, e que fundos teriam sido usados para ocultar patrimônio.

Com a liquidação da CBSF DTVM, o liquidante nomeado pelo Banco Central deverá convocar assembleias para buscar a transferência dos fundos para administradoras saudáveis, enquanto autoridades continuam as apurações sobre a origem e a integridade dos ativos.