Nestlé amplia recall de fórmulas infantis após detecção de cereulida em ingrediente, lotes vendidos na Europa, Turquia, Argentina e mais de 30 países estão incluídos
A Nestlé anunciou um recall de alguns lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, por risco de contaminação por uma toxina produzida por Bacillus cereus.
O recolhimento, que começou de forma mais limitada em dezembro e foi ampliado em janeiro, abrange lotes vendidos em mais de 30 países, principalmente na Europa, além da Turquia e da Argentina.
Até o momento, nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos, conforme informação divulgada pelo g1.
O que é a cereulida e quais são os riscos
A toxina em questão é a cereulida, produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus, e é associada a náuseas e vômitos rápidos após consumo.
A agência de padrões alimentícios do Reino Unido, FSA, alertou que, “É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil“, e que “A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais“, disse Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA.
Quais produtos, lotes e países estão afetados
A Nestlé informou que o recall abrange lotes vendidos em toda a Europa, além da Turquia e da Argentina, e que identificou o risco potencial em uma fábrica na Holanda.
Segundo a lista divulgada, entre os países com produtos que não devem ser consumidos estão: Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Macedônia, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido, Ucrânia, Argentina, México e Peru.
O Ministério da Saúde da Áustria afirmou que “o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé e seria o maior da história da empresa”. Um porta-voz da companhia disse não ser possível confirmar esses números.
Como a Nestlé reagiu e o que foi identificado
A empresa disse ter detectado o problema após identificação de questão de qualidade em um ingrediente fornecido por um parceiro, e que realizou “testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas correspondentes usadas na produção de produtos de nutrição infantil potencialmente afetados“, segundo um porta-voz da empresa.
Com a conclusão dos testes, a Nestlé ampliou o recall, passou a acionar fornecedores alternativos de óleo de ácido araquidônico, aumentou a produção em diversas fábricas e acelerou a liberação de itens não afetados dos centros de distribuição, para minimizar impactos no abastecimento.
O recolhimento também reacendeu pressão sobre a nova gestão, liderada pelo presidente-executivo Philipp Navratil, que tenta retomar o crescimento do grupo por meio de revisão do portfólio.
Impacto no mercado e orientações para pais
A Nestlé, cujas ações caíram mais de 3% nas duas últimas sessões, controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, segundo o SkyQuest Technology Group.
A divisão de Nutrição e Ciências da Saúde representa 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços, ou US$ 115,4 bilhões em 2024.
Para pais e cuidadores, a recomendação é verificar os números de lote divulgados pela Nestlé e evitar o consumo de produtos listados, procurar orientações locais das autoridades de saúde e, em caso de sintomas como vômitos ou cólicas após consumo, procurar atendimento médico.
Fontes citadas, conforme informação divulgada pelo g1, incluem comunicados da Nestlé, declarações da agência de padrões alimentícios do Reino Unido, FSA, e posicionamentos de autoridades nacionais, como a NVWA da Holanda e o Ministério da Saúde da Áustria.