Recall de fórmulas infantis da Nestlé por risco de cereulida: lotes de SMA, BEBA e NAN retirados em 30+ países, fábrica na Holanda e risco ao abastecimento global
Empresa anuncia testes em óleos de ácido araquidônico, muda fornecedores, diz que ‘nenhuma doença havia sido confirmada’, e autoridades europeias investigam origem do problema
A Nestlé informou nesta terça-feira um recall de lotes de nutrição infantil, incluindo as marcas SMA, BEBA e NAN, por possível contaminação por cereulida.
O recolhimento envolve principalmente países da Europa, além de Turquia, Argentina e outras nações, e foi ampliado após testes internos em matérias‑primas utilizadas na produção.
Conforme informação divulgada pelo g1, a empresa afirma que, até o momento, nenhuma doença havia sido confirmada relacionada aos produtos recolhidos.
O que motivou o recall
A empresa detectou um problema de qualidade em um ingrediente fornecido por um parceiro, o que levou à realização de testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas correspondentes usadas na produção de fórmulas potencialmente afetadas.
A Nestlé informou que identificou o risco potencial em uma fábrica na Holanda, e a autoridade holandesa de segurança alimentar, NVWA, apontou que a matéria‑prima contaminada foi usada em vários locais de produção, inclusive fora do país.
Produtos e países afetados
O recall abrange lotes vendidos em mais de 30 países, com foco na Europa, Turquia e Argentina, e inclui as marcas SMA, BEBA e NAN. Entre os países citados estão Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Macedônia, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido, Ucrânia, Argentina, México e Peru.
O Ministério da Saúde da Áustria afirmou que, segundo suas informações, “o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé e seria o maior da história da empresa”, informação que a Nestlé declarou não poder confirmar de imediato.
Riscos à saúde e recomendações
A preocupação é com a toxina cereulida, produzida por algumas cepas da bactéria Bacillus cereus. A agência de padrões alimentícios do Reino Unido, FSA, informou, “É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”.
Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA, alertou, “A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais”. Por isso, órgãos de segurança recomendaevitar o consumo dos lotes listados pela empresa até nova orientação.
Consequências para a Nestlé e mercado
O recall, que começou em escala menor em dezembro e foi ampliado em janeiro, aumenta a pressão sobre o novo presidente‑executivo, Philipp Navratil, que tenta retomar o crescimento do grupo por meio de revisão do portfólio.
Analistas registraram queda nas ações da empresa, com recuo superior a 3% nas duas últimas sessões. A Nestlé controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, segundo o SkyQuest Technology Group.
Segundo dados divulgados pela própria companhia, as fórmulas infantis integram a divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024. A Nestlé diz que acionou fornecedores alternativos de óleo de ácido araquidônico, aumentou a produção em várias fábricas e acelerou a liberação de itens não afetados para minimizar impactos no abastecimento.
Em comunicado, a empresa reafirma que segue trabalhando com autoridades e fornecedores para identificar a origem da contaminação, informar consumidores e restaurar níveis normais de fornecimento, enquanto investigações continuam na Europa e em outros países.