quinta-feira, junho 4, 2026

Recall de fórmulas infantis Nestlé: lotes de SMA, BEBA e NAN recolhidos em mais de 30 países por risco de toxina cereulida, pressão sobre abastecimento

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Empresa identifica possível contaminação por cereulida em matéria-prima usada em fábricas na Holanda e em outros países, e amplia recall para proteger bebês e mães

A Nestlé anunciou nesta terça-feira um recall de lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, por risco de contaminação por uma toxina que pode causar náuseas e vômitos.

A ação atinge vendas principalmente na Europa, além da Turquia e da Argentina, e foi ampliada após testes em matérias‑primas ligados a uma fábrica na Holanda.

No comunicado da empresa, a retirada foi adotada enquanto fornecedores alternativos são acionados e a produção é ajustada para minimizar impactos no abastecimento, conforme informação divulgada pelo g1.

Quais produtos e países estão no recall

A empresa divulgou que os lotes afetados incluem marcas conhecidas de nutrição infantil, como SMA, BEBA e NAN. O recall alcança mais de 30 países, entre eles Áustria, Bélgica, Bulgária, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Macedônia, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido, Ucrânia, Argentina, México e Peru.

Risco identificado e declarações das autoridades

A suspeita é de contaminação por cereulida, uma toxina produzida por cepas de Bacillus cereus. Segundo a agência de padrões alimentícios do Reino Unido, a FSA, “É improvável que a toxina seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante a fabricação do leite infantil”.

Jane Rawling, chefe de incidentes da FSA, afirmou ainda que “A cereulida pode causar sintomas de intoxicação alimentar que se desenvolvem rapidamente e incluem vômitos e cólicas estomacais”. A investigação da autoridade holandesa de segurança alimentar, NVWA, mostrou que a matéria‑prima possivelmente contaminada foi usada em vários locais de produção, inclusive fora da Holanda.

Resposta da Nestlé e medidas para manter o fornecimento

Segundo a empresa, após identificar um problema de qualidade em um ingrediente fornecido por um parceiro, foram realizados “testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas correspondentes usadas na produção de produtos de nutrição infantil potencialmente afetados”. Com a conclusão dos testes, a Nestlé iniciou o recall dos itens afetados e passou a acionar fornecedores alternativos.

Em nota, a empresa informou ainda que intensificou a produção em várias fábricas e acelerou a liberação de itens não afetados dos centros de distribuição, com objetivo de manter o abastecimento.

Impacto comercial e repercussão

O Ministério da Saúde da Áustria afirmou que o recall afeta mais de 800 produtos de mais de 10 fábricas da Nestlé, informação que a pasta classificou como o maior recall da história da empresa, embora um porta‑voz da companhia tenha dito que não era possível confirmar esses números.

Em comunicado público, “A Nestlé afirmou, no fim da segunda-feira, que nenhuma doença havia sido confirmada em relação aos produtos recolhidos.” A crise ocorre enquanto o novo presidente‑executivo, Philipp Navratil, tenta retomar o crescimento do grupo por meio de revisão do portfólio.

O recuo no mercado também foi observado, com ações da Nestlé caindo mais de 3% nas duas últimas sessões. O grupo controla quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, e as fórmulas integram a divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, “responsável por 16,6% das vendas totais de 91,4 bilhões de francos suíços (US$ 115,4 bilhões) em 2024”.

Fontes e declarações oficiais citadas aqui foram publicadas originalmente pelo g1, incluindo dados e citações das autoridades regulatórias e da própria Nestlé.

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