Receitas dos Correios com encomendas e mensagens crescem até setembro de 2025, mas estatal fecha 3º trimestre com prejuízo de R$ 6 bilhões e busca R$ 8 bi

Mesmo com alta em encomendas e mensagens, queda em postagens internacionais e efeitos do programa Remessa Conforme reduziram a receita total, e empresa anuncia reestruturação

Os Correios voltaram a registrar aumento nas receitas de alguns produtos, mas isso não foi suficiente para evitar um resultado negativo no trimestre, com impactos que podem determinar novas medidas nos próximos anos.

Entre janeiro e setembro de 2025, a contribuição de encomendas e mensagens mostrou crescimento tímido em comparação com períodos anteriores, mas perdas em outros segmentos e mudanças regulatórias pressionaram a conta final.

As informações deste texto seguem, em parte, os dados divulgados pela empresa em suas demonstrações financeiras e nas declarações públicas da direção, conforme informação divulgada pelo g1.

Receitas por produto e números do trimestre

Nos balanços que mostram a posição em 30 de setembro de 2025, os Correios registraram R$ 7,2 bilhões com encomendas e R$ 3,6 bilhões com mensagens. Ainda assim, em novembro a empresa anunciou o resultado do 3º trimestre de 2025 onde apresentou um prejuízo de R$ 6 bilhões, contra um prejuízo de R$ 2,1 bilhões no mesmo período de 2024.

As postagens internacionais, que eram responsáveis por mais de 20% das receitas dos Correios, registraram uma queda de quase R$ 2 bilhões em relação a 2024, alcançando R$ 1,1 bilhão. Entre 2023 e 2025, o maior aumento percentual ficou com a categoria classificada pela empresa como “outros”, que incluiu serviços de logística, marketing, malote, conveniência e venda de chip para celulares.

Impacto do programa Remessa Conforme e perda de mercado

A receita total da estatal sofreu forte redução em função do programa “Remessa Conforme”, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023. Com a medida, o governo passou a cobrar imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 e permitiu que empresas privadas façam o frete pelo Brasil de mercadorias internacionais, deixando de ser obrigatória a distribuição pelas unidades dos Correios.

De acordo com as demonstrações financeiras, houve uma redução de R$ 2,2 bilhões entre o acumulado até setembro de 2023 e 2025, o que representa 66% do que havia sido arrecadado no ano da implantação do programa.

Em levantamento apresentado pela empresa, os Correios perderam espaço no mercado de encomendas entre 2019 e 2025, saindo de 51% no primeiro ano do governo Bolsonaro para 22% atualmente.

Diagnóstico da direção e medidas propostas

O presidente Emmanoel Rondon afirmou que o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser “viável” e que o monopólio remanescente não é suficiente para financiar a universalização do serviço postal. Na coletiva, ele disse, entre outras avaliações, que “O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização do serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários”.

O plano de reestruturação apresentado prevê cortes e ajustes para reverter 12 trimestres seguidos de prejuízos. Entre as medidas estão corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis, e fechamento de mil agências, além da implementação de um Programa de Demissão Voluntária que visa reduzir 15 mil funcionários, o que representaria uma queda de 18% na folha.

Captação de recursos, empréstimos e metas futuras

Rondon informou que a companhia ainda vai buscar mais R$ 8 bilhões para manutenção das operações, como parte do plano de reestruturação. A captação poderá vir por aportes do Tesouro Nacional ou por um novo empréstimo. Na semana anterior, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras para quitar dívidas e aliviar o caixa, após a proposta inicial de um empréstimo de R$ 20 bilhões não ser autorizada pelo Tesouro por conta da taxa de juros ofertada.

A empresa espera recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro a partir de 2027. A meta é alcançar R$ 21 bilhões em receita em 2027, contra R$ 18,9 bilhões em 2024, R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.

Os Correios também pretendem investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, por meio de um empréstimo junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff, com recursos destinados a automação de centros de tratamento, renovação e descarbonização da frota, modernização de infraestrutura de TI e redesenho da malha logística.

O desafio da estatal é conciliar a busca por novas receitas e eficiência operacional, mantendo a universalização do serviço postal em localidades deficitárias, enquanto articula fontes de financiamento para atravessar a crise, conforme os dados e declarações oficiais divulgados pelo g1.