quinta-feira, junho 4, 2026

Refinarias dos EUA enfrentam excesso de petróleo venezuelano após acordo de US$ 2 bilhões, preços caem e volumes ficam sem comprador, Chevron, Vitol e Trafigura no centro

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A forte alta nas exportações venezuelanas triplicou remessas aos EUA, sobrecarregou a Costa do Golfo e revela desafios para processar o petróleo venezuelano, entre preços e infraestrutura

As refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos estão tendo dificuldade para absorver o súbito aumento de oferta de petróleo venezuelano após o acordo de fornecimento de US$ 2 bilhões entre Caracas e Washington.

A oferta extra tem pressionado preços e deixado parte dos volumes sem comprador, em um momento de demanda fraca nos EUA que complica planos da administração Trump de direcionar maior parte do petróleo venezuelano ao mercado americano.

Licenças concedidas a Vitol, Trafigura e Chevron ampliaram os embarques, mas o ritmo de vendas e a capacidade de processamento nas refinarias não acompanharam o fluxo, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que há excesso de oferta

Após a operação em Caracas que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no mês passado, as tradings receberam autorizações para negociar milhões de barris, aumentando rapidamente os embarques.

No mês passado, as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, segundo dados baseados no movimento de navios, e, no total, as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro.

Pressão nos preços e resistência das refinarias

Com excesso de oferta, os preços caíram, mas ainda existem reclamações sobre competitividade frente a concorrentes como os graus pesados canadenses.

De acordo com o relatório, “cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.”

Um operador resumiu a situação, “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”, o que ilustra a relutância de algumas refinarias americanas em aceitar o produto.

Capacidade das empresas e gargalos logísticos

A Chevron elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro, e, segundo o texto, “O presidente-executivo da empresa, Mike Wirth, afirmou que a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela”.

Outra referência, “O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos.”

Fontes citadas no levantamento indicam que petroleiros fretados pela Chevron chegaram a aguardar dias para descarregar em portos dos EUA ou reduziram velocidade durante a viagem, enquanto grandes volumes ficaram armazenados no Caribe.

Cenário internacional e alternativas de mercado

A China, que era o principal destino do petróleo venezuelano, deixou de receber cargas desde a captura de Maduro no início de janeiro, e autoridades americanas afirmaram que passariam a controlar as vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado.

PetroChina orientou comerciantes a suspenderem novas negociações, e uma alternativa emergente é a Índia, após anúncio de um acordo comercial com os EUA que pode incluir maior compra de petróleo americano e, possivelmente, venezuelano, e relatos de que a indiana Reliance Industries estuda importar petróleo da Venezuela.

Vitol e Trafigura, por sua vez, exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, dos portos venezuelanos em janeiro, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe, e grande parte desse volume ainda não foi vendida.

O quadro mostra que, embora o aumento das exportações tenha sido rápido, levará tempo até que refinarias americanas ajustem processos e volatilidade de preços para integrar plenamente o petróleo venezuelano às suas operações, conforme informação divulgada pelo g1.

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