Refinarias dos EUA lutam para absorver aumento súbito de petróleo venezuelano após acordo de US$ 2 bilhões, Trump mira Chevron, Vitol e Trafigura
Excesso de petróleo venezuelano pressiona preços e deixa cargas sem comprador na Costa do Golfo, com exportações saltando para cerca de 800 mil barris por dia, segundo dados
As refinarias na Costa do Golfo dos Estados Unidos estão encontrando dificuldade para absorver um aumento rápido nas ofertas de petróleo venezuelano, após a retomada das vendas autorizadas no mês passado.
O excesso de oferta tem pressionado os preços e deixado parte dos volumes sem comprador, em um momento em que a demanda americana está fraca e algumas instalações precisam de ajustes para processar graus mais pesados.
O cenário complicou os planos do governo americano de direcionar grande parte do fluxo venezuelano para os Estados Unidos, mesmo com licenças liberadas para grandes tradings e para a Chevron.
conforme informação divulgada pelo g1
Preço e oferta pressionados
Operadores ouvidos pelo mercado dizem que há mais carga disponível do que compradores dispostos a adquirir petróleo venezuelano na Costa do Golfo, com impacto direto nos descontos e na atratividade do produto.
Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.
Um dos operadores resumiu a situação, afirmando, “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes“, segundo fontes do mercado.
Capacidade de refino e limitações
Será preciso tempo para que as refinarias americanas voltem a operar em plena capacidade com os tipos mais pesados vindos da Venezuela, pois algumas unidades precisam de ajustes no processamento.
O presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa “pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos“.
Por sua vez, o CEO da Chevron, Mike Wirth, disse que a “rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela“, o que sugere necessidade de armazenar ou revender volumes excedentes.
Quem está enviando e para onde vão os embarques
Após a operação em Caracas que levou à captura do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro, os EUA liberaram licenças que permitiram a Chevron, à Vitol e à Trafigura negociar e vender milhões de barris.
As exportações totais da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro, segundo dados baseados no movimento de navios.
As duas tradings, Vitol e Trafigura, exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, principalmente para terminais de armazenamento no Caribe, e grande parte desse volume ainda não foi vendida, disseram fontes.
Para os Estados Unidos, as importações quase triplicaram no mês, chegando a 284 mil barris por dia, enquanto, antes das sanções de 2019, os EUA importavam cerca de 500 mil barris diários, volume que caiu a zero em meados de 2025 após revogações de licenças.
Alternativas, riscos e perspectivas
Com demanda fraca nos EUA e concorrência de graus pesados canadenses, parte do petróleo venezuelano segue sem comprador, e navios têm aguardado para descarregar ou reduzido velocidade no trajeto para portos americanos.
A China, que era o principal destino, deixou de receber cargas desde a captura de Maduro, e a estatal PetroChina orientou comerciantes a suspender novas negociações enquanto avalia o cenário.
Governo e mercado avaliam alternativas, como a Índia, em um momento em que acordos comerciais e decisões políticas podem alterar destinos e preços do petróleo venezuelano nos próximos meses.
Fontes, operadores e dados de embarque foram consultados para esta reportagem.