Refinarias dos EUA sofrem com excesso de oferta e queda de preços após aumento repentino na importação de petróleo venezuelano, pressão sobre a Costa do Golfo

A rápida elevação das exportações venezuelanas encontra refinarias com fraca demanda nos EUA, descontos maiores e volumes sem comprador, afetando a importação de petróleo venezuelano

As refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos estão tendo dificuldade para absorver um aumento repentino nas cargas vindas da Venezuela, o que vem pressionando preços e deixando parte do petróleo sem comprador.

O movimento se intensificou depois de um acordo de fornecimento e licenças concedidas a tradings e à Chevron, mas a fraca demanda americana e limites de capacidade têm sido obstáculos iniciais.

Operadores relatam estoques crescentes, necessidade de revenda ou armazenamento e ajustes operacionais nas refinarias, conforme informação divulgada pelo g1

Mais oferta, menos compradores e queda de preços

Com a retomada das exportações venezuelanas, o mercado da Costa do Golfo passou a enfrentar excesso de oferta, o que vem pressionando as cotações do petróleo pesado. Segundo operadores, atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro.

Na prática, o resultado tem sido volumes sem comprador imediato, porque “Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes“, disse um dos operadores ouvido pelo mercado.

Por que as refinarias americanas relutam

Além da demanda doméstica fraca, algumas refinarias americanas reclamam que os preços do petróleo venezuelano, embora em queda, continuam altos frente aos graus pesados canadenses concorrentes. Também há necessidade de ajustes para processar tipos mais pesados, o que leva tempo.

O aumento das exportações para os EUA foi rápido, e no mês passado as exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia, com base em dados de movimento de navios.

Capacidade das empresas e estoque transitório

A Chevron, cuja licença permite exportar petróleo venezuelano apenas para os Estados Unidos, elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro. O presidente-executivo da empresa, Mike Wirth, afirmou que a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela.

Mark Lashier, presidente-executivo da Phillips 66, disse que a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos. Enquanto isso, operadores apontam que parte do volume tem sido destinada a terminais de armazenamento no Caribe, e que muito ainda não foi vendido.

Concorrência global e destinos alternativos

No total, as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro. Vitol e Trafigura exportaram cerca de 12 milhões de barris, o equivalente a aproximadamente 392 mil barris por dia, dos portos venezuelanos em janeiro, segundo monitoramento de navios.

A China, que era o principal destino, deixou de receber cargas desde a captura do presidente Nicolás Maduro no início de janeiro, e a PetroChina suspendeu novas negociações enquanto avalia o cenário. Autoridades americanas afirmaram que os EUA passariam a controlar as vendas por tempo indeterminado.

Com o aumento da oferta e os limites de demanda nos EUA, alternativas como Índia e terminais no Caribe aparecem como destinos ou soluções temporárias, enquanto refinarias e tradings renegociam prazos e avaliam preços.

Os números e relatos acima são baseados em informações divulgadas pelo g1, com dados de operadores de mercado e monitoramento de embarques.