Refinarias dos EUA têm dificuldade para absorver petróleo venezuelano após acordo de US$ 2 bilhões, importações disparam e pressionam preços
Excesso de embarques de petróleo venezuelano eleva estoques na Costa do Golfo, reduz preços e deixa parte dos volumes sem comprador, enquanto Chevron, Vitol e Trafigura ampliam envios
A chegada repentina de grandes cargas de petróleo venezuelano tem colocado as refinarias da Costa do Golfo dos Estados Unidos em alerta, com capacidade ociosa e estoques em alta.
O aumento das exportações após o acordo de US$ 2 bilhões entre Caracas e Washington gerou excesso de oferta, queda de preços e cargas sem comprador imediato.
Refinarias são cautelosas com tipos mais pesados do petróleo, e ajustamentos operacionais levarão tempo, o que reforça a pressão sobre vendas e preços.
conforme informação divulgada pelo g1
Por que as refinarias dos EUA resistem ao aumento das importações
A demanda mais fraca nos EUA tem sido um obstáculo para direcionar a maior parte do petróleo venezuelano ao mercado americano, segundo operadores e dados de embarque.
As refinarias reclamam que, apesar da queda, os preços ainda ficam altos frente a graus pesados concorrentes, e algumas instalações precisam de ajustes para processar crudos mais pesados.
“Estamos todos enfrentando esse problema, em que há mais para vender e não há compradores suficientes”, disse um dos operadores, citando a relutância das refinarias americanas em comprar petróleo venezuelano, conforme informação divulgada pelo g1.
Impacto sobre preços e volumes
Atualmente, cargas de petróleo pesado venezuelano para entrega na Costa do Golfo estão sendo oferecidas com desconto de cerca de US$ 9,50 por barril em relação ao Brent, ante descontos entre US$ 6 e US$ 7,50 registrados em meados de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.
No mês passado, “As exportações totais de petróleo venezuelano para os Estados Unidos quase triplicaram, chegando a 284 mil barris por dia” , segundo dados baseados no movimento de navios, conforme informação divulgada pelo g1.
No total, “as exportações de petróleo da Venezuela saltaram para cerca de 800 mil barris por dia no mês passado, ante 498 mil em dezembro”, acrescentam os dados, conforme informação divulgada pelo g1.
O papel de Chevron, Vitol e Trafigura nas novas rotas
A Chevron aumentou embarques e “elevou seus embarques para 220 mil barris por dia em janeiro, ante 99 mil em dezembro”, enquanto Vitol e Trafigura transportaram volumes significativos para terminais no Caribe, conforme informação divulgada pelo g1.
Uma parte grande desses volumes ainda não foi vendida, e operadores dizem que será preciso tempo para que o mercado absorva o excesso e para que refinarias adaptem suas operações.
Sobre capacidade de processamento, “o presidente-executivo da Phillips 66, Mark Lashier, afirmou que a empresa pode processar cerca de 250 mil barris por dia desse petróleo, desde que os preços sejam competitivos”, conforme informação divulgada pelo g1.
Da mesma forma, “o presidente-executivo da empresa, Mike Wirth, afirmou que a rede de refino da Chevron consegue processar até 150 mil barris diários dos tipos pesados da Venezuela”, segundo o levantamento citado pelo g1.
Destinos alternativos e os efeitos geopolíticos
A China, que era o principal destino, deixou de receber cargas desde a captura de Nicolás Maduro no início de janeiro, e autoridades dos EUA disseram que passariam a controlar as vendas por tempo indeterminado.
Pequim rejeitou o controle americano, e a estatal PetroChina orientou comerciantes a suspender novas negociações, enquanto a Índia surge como alternativa, com a Reliance Industries estudando importar petróleo da Venezuela.
O aumento das exportações venezuelanas e a disputa por compradores expõem um nó logístico e político, que deve determinar onde e a que preço o petróleo venezuelano será vendido nas próximas semanas.
Perspectivas para os próximos meses
Operadores afirmam que levará tempo até que refinarias americanas trabalhem em plena capacidade com os tipos mais pesados, e que parte do excesso terá de ser armazenada ou revendida.
Embora a capacidade potencial exista, a combinação de estoques altos, preços ainda relativamente elevados e hesitação de compradores mantém a incerteza sobre o ritmo de vendas, conforme informação divulgada pelo g1.