Reforço militar dos EUA no Oriente Médio: imagens mostram porta-aviões, destróieres e aumento de caças antes de rodada de negociações com o Irã

Movimentação inclui o porta-aviões USS Abraham Lincoln, grupos de destróieres, e incremento de caças F-15 e EA-18 em bases regionais, segundo imagens e relatos

Nos dias que antecederam uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã, imagens de satélite e comunicações oficiais apontam para um aumento visível das forças americanas no Oriente Médio.

O deslocamento inclui porta-aviões, destróieres e um número maior de caças e aviões de apoio, em posições que ampliam a capacidade de projeção e de dissuasão na região.

As informações destacam equipamentos e números precisos, incluindo dados sobre o porta-aviões localizado por imagens, conforme informação divulgada pelo g1.

O que as imagens mostram

Imagens públicas de satélite localizaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que, segundo os relatos, transporta 90 aeronaves, incluindo caças F-35, e 5.680 tripulantes. A embarcação foi identificada próxima à costa de Omã, a cerca de 700 km do Irã, e em imagens europeias Sentinel-2 foi vista no Mar Arábico, a cerca de 240 km da costa de Omã.

Além do Abraham Lincoln, a BBC e análise de imagens acompanharam outros movimentos, com menção ao envio do USS Gerald R. Ford para a região, que pode chegar nas próximas semanas. A presença recente inclui também destróieres da classe Arleigh Burke e navios especializados posicionados na base do Bahrein.

A BBC conseguiu rastrear 12 navios americanos no Oriente Médio por meio de imagens de satélite: entre eles, o Abraham Lincoln, três destróieres que escoltam o porta-aviões, dois destróieres com capacidade de ataques de longo alcance, três navios para combate próximo à costa posicionados no Bahrein, além de movimentos no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho.

Aumento de aeronaves e bases

Imagens e monitoramento também registraram um incremento de caças F-15 e EA-18 estacionados na base de Muwaffaq Salti, na Jordânia, e maior circulação de aviões de carga, reabastecimento e comunicações deslocando-se dos EUA e da Europa para o Oriente Médio.

Esses movimentos ampliam a capacidade logística e operacional para sustentar operações aéreas prolongadas, e aumentam a flexibilidade para respostas rápidas, em especial perto de pontos sensíveis como o Estreito de Ormuz.

Resposta do Irã e exercícios militares

Em reação à presença americana, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou um exercício marítimo no Estreito de Ormuz, com lançamento de mísseis a partir de navios e inspeção por seus comandantes, segundo a agência Tasnim ligada à IRGC. O Estreito é uma rota crucial para o trânsito de petróleo, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo.

As manobras iranianas incluíram inspeção de navios em porto e lançamentos de mísseis, numa demonstração de força que acompanha a intensificação da presença naval dos EUA.

Análise, capacidade e intenção dos Estados Unidos

Especialistas ouvidos pelo veículo que monitorou as imagens dizem que o atual reforço demonstra “mais profundidade e sustentabilidade” do que movimentações anteriores, por exemplo, antes de operações na Venezuela ou de ações passadas contra alvos iranianos.

O analista Justin Crump afirmou ainda que “o que estamos vendo não é apenas preparação para ataques, mas sim uma estratégia de dissuasão mais ampla, capaz de ser ampliada ou reduzida“. Ele também destacou que os arranjos atuais permitiriam um “ritmo de ataques bastante intenso e sustentado” para tornar respostas adversárias, segundo sua avaliação, “ineficazes”.

As autoridades americanas indicaram que, além de discutir o programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções, Washington pode abordar outros temas nas negociações realizadas na Suíça, enquanto a visibilidade maior das forças no terreno e no mar também serve como elemento de pressão.

O acompanhamento por satélite e a divulgação de imagens do Pentágono e de outras agências tornam mais transparentes os movimentos militares, aumentando a atenção internacional sobre os desdobramentos diplomáticos e militares na região.