Relator do TCU, Jhonatan de Jesus, afirma que ‘não há conclusão formada’ sobre liquidação do Banco Master, TCU abre inspeção técnica no Banco Central para apurar decisão
Inspeção técnica da AudBancos no Banco Central vai avaliar, em menos de um mês, as decisões sobre liquidez do Banco Master e a proposta de compra pela Fictor com apoio de fundo árabe
O relator sorteado para o caso, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que, antes da apuração técnica, “não há conclusão formada” sobre a liquidação do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Técnicos do Tribunal de Contas da União, pela área de fiscalização de bancos, AudBancos, devem iniciar nesta semana a inspeção nas respostas enviadas pelo Banco Central ao TCU, com foco no histórico que levou à liquidação.
As informações e as decisões sobre prazos e escopo foram tratadas em reunião entre integrantes do TCU e a direção do BC, conforme informação divulgada pelo g1.
Relator, sorteio e pedidos do Ministério Público de Contas
Conforme a tramitação relatada pelo próprio ministro, Jhonatan de Jesus foi sorteado relator após o Ministério Público de Contas, em dezembro de 2025, enviar dois pedidos de diligências sobre o negócio entre o BRB e o Master, e sobre as tratativas finais de liquidação.
O relator deixou claro que a inspeção será avaliada por seu gabinete e submetida ao plenário do tribunal, porque “não há conclusão formada antes da verificação técnica dos fatos“, frase atribuída por ele em entrevista ao blog.
Escopo da inspeção e perguntas centrais
O guia das averiguações será a resposta do Banco Central ao TCU, com dois focos centrais: indícios já em 2024 de problemas de liquidez do Banco Master, e a decisão de liquidação, mesmo havendo proposta de aquisição pela Fictor com apoio de um fundo árabe.
A área técnica terá que verificar documentos e cronologias, para entender se a autoridade monetária seguiu procedimentos e fundamentos adequados ao determinar a liquidação, e se houve omissões ou falhas na avaliação de alternativas.
Reunião entre TCU e Banco Central e o recuo do BC
Na segunda-feira, dia 12, o presidente do TCU, Vital do Rêgo Filho, Jhonatan de Jesus e outros integrantes se reuniram com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede do BC.
Segundo Vital do Rêgo, a inspeção traz “segurança jurídica” ao processo, e “o processo todo deve durar menos de um mês”. O encontro buscou conciliar o poder de fiscalização do TCU e a autonomia do BC, tema que motivou questionamentos sobre a entrada de técnicos do tribunal em dependências da autoridade monetária.
Contexto, repercussão e posicionamentos do mercado
A decisão de Jhonatan de Jesus, antes da reunião, gerou reação do Banco Central, que havia questionado se uma inspeção poderia ser determinada por um único ministro, em vez de passar pelo colegiado do TCU.
Em despacho, o relator escreveu que, sob o aspecto regimental, “não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”, e também afirmou que a controvérsia ganhou “dimensão pública” que recomenda que seja submetida ao Plenário.
A Federação Brasileira de Bancos divulgou nota de confiança na decisão do BC, afirmando que “a solidez e a resiliência do setor bancário e a independência do regulador do sistema financeiro são um ativo e um patrimônio nacional”, e que o regulador se sustenta com “respeito, credibilidade e dignidade institucional”.
A inspeção promete esclarecer cronologias, responsabilidades e se foram esgotadas alternativas à liquidação, incluindo propostas de compra, com impacto político e econômico imediato, enquanto técnicos do TCU trabalham para entregar resultados em prazo curto.