Renee Nicole Good morta por agente do ICE em Minneapolis, vídeo mostra ela dizendo ‘Está tudo bem, cara’ antes dos tiros e desencadeia protestos nacionais
Imagens gravadas por agente do ICE mostram Renee Nicole Good tentando acalmar oficiais antes dos disparos, o caso reacende críticas à atuação do ICE e gera manifestações
Renee Nicole Good, mulher de 37 anos e mãe de três filhos, foi morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA, o ICE, em Minneapolis, na última quarta-feira, 7 de janeiro.
Um vídeo divulgado na sexta-feira, 9 de janeiro, mostra o momento em que ela tenta acalmar um dos agentes segundos antes de ser baleada, e a gravação está no centro de debates e protestos na cidade.
Autoridades federais afirmam que a agente atirou porque o carro teria avançado contra os oficiais, enquanto manifestantes e lideranças locais contestam a versão, cobrando investigação independente, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o novo vídeo mostra
As imagens, segundo relatos do caso, foram gravadas pelo próprio agente que realizou os disparos, identificado como Jonathan Ross.
No vídeo, Renee Nicole Good aparece dentro do carro e, ao falar com o agente, diz, segundo transcrição das imagens, “Está tudo bem, cara. Eu não estou brava com você. Eu não estou brava com você!”.
Também é possível ouvir outra voz, provável da esposa de Renee, que pede ao agente para mostrar o rosto, “Mostre o seu rosto”, e tenta dialogar enquanto o primeiro agente grava a placa do carro.
Em seguida, um segundo agente pede por três vezes que Renee desça do veículo. A mulher então acelera, o carro se aproxima do agente que grava, e, no momento em que se ouvem disparos, a imagem do vídeo fica torta, o que pode indicar que o celular foi movido no instante.
Versões conflitantes e informações das autoridades
O ICE e o Departamento de Segurança Interna, o DHS, sustentam que os agentes atiraram depois que o veículo supostamente avançou contra os oficiais.
Segundo a cobertura, Jonathan Ross disparou três vezes a curta distância contra Renee Nicole Good. Após ser baleada, ela colidiu com um poste e morreu.
A secretária do DHS, Kristi Noem, saiu em defesa dos agentes e classificou a ação da mulher como um ato de “terrorismo doméstico”, afirmando, “Esses ataques com veículos são atos de terrorismo doméstico. Estamos trabalhando com o Departamento de Justiça para processá-los dessa forma”.
Reações locais e relatos de testemunhas
Em Minneapolis, manifestantes foram às ruas na quinta-feira para protestar contra o ICE e contra a morte de Renee Nicole Good. A mobilização também ocorreu em outras cidades.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a atuação dos agentes federais, afirmando que “Agentes de imigração estão causando caos em nossa cidade” e exigindo que o ICE se retire da cidade e do estado.
Relatos de testemunhas citados por autoridades locais apontam que agentes federais teriam impedido um médico de prestar socorro e tentar reanimar a mulher no local, afirmação que aumentou a tensão entre moradores e agentes federais.
Contexto da operação do ICE e impacto mais amplo
O DHS havia anunciado dias antes uma grande ofensiva migratória na região, com cerca de 2.000 agentes e oficiais, ligada em parte a investigações sobre supostas fraudes envolvendo residentes de origem somali.
Autoridades relataram que, desde 2024, esta seria ao menos a quinta morte registrada em ações desse tipo em diferentes estados, um dado que alimenta o debate sobre as operações de imigração em grandes cidades.
Familiares e conhecidos descrevem Renee Nicole Good como cidadã americana, poeta premiada e guitarrista amadora, e pedem justiça e transparência na apuração dos fatos.
O caso segue sob investigação, e autoridades locais e federais devem fornecer mais detalhes conforme as perícias forem concluídas, enquanto a cidade permanece em estado de alerta e manifestações continuam.