Renúncias no conselho do BRB, reserva de R$ 3 bilhões e investigação da PF, o que muda para o Banco de Brasília após saída de dois conselheiros

Dois conselheiros pediram renúncia com efeito imediato, o Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 3 bilhões para garantir operações, e assembleia em 19 de fevereiro definirá novo colegiado

Dois membros do conselho de administração do Banco de Brasília pediram renúncia na noite de quarta-feira, com saída imediata dos cargos e dos comitês internos, conforme previsto nas regras da instituição.

As movimentações ocorrem em meio a apurações sobre transações com o Banco Master e a exigência do regulador para que o banco público assegure recursos para suas operações.

As mudanças também antecedem uma assembleia de acionistas marcada para 19 de fevereiro, quando serão votados novos nomes para o colegiado, conforme informação divulgada pelo g1.

O que aconteceu e quem deixou os cargos

Segundo o comunicado do próprio banco, Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende renunciaram aos cargos no conselho de administração do BRB na noite de quarta-feira, com efeito imediato.

Além da saída do conselho, ambos deixaram também os comitês internos do banco, seguindo as regras internas e a legislação aplicável, conforme informou a instituição.

Mudanças recentes na direção e nomes indicados para o novo conselho

Em janeiro o BRB já havia anunciado alterações na sua estrutura de comando. Raphael Vianna de Menezes foi eleito presidente do conselho de administração, e Antônio José Barreto de Araújo Júnior assumiu como diretor executivo de finanças.

O principal acionista do banco, o governo do Distrito Federal, convocou assembleia para 19 de fevereiro, quando serão votados os nomes indicados para o novo colegiado, entre eles Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré.

Investigações, estimativas de perdas e medida do Banco Central

As renúncias ocorrem no contexto de uma investigação da Polícia Federal, deflagrada em novembro, que apura supostas fraudes envolvendo dirigentes do Banco Master e do BRB.

Autoridades estimaram que o suposto esquema poderia ter causado perdas superiores a R$ 10 bilhões ao banco público, e o Banco Central apontou que o prejuízo para o BRB pode ultrapassar R$ 3 bilhões.

Em reação aos riscos apontados, o Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 3 bilhões para manter suas operações em segurança, medida destinada a preservar a solidez e a liquidez da instituição.

Desdobramentos da operação e consequências para o setor

Na operação policial de novembro, o então presidente do BRB foi afastado e depois demitido. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente e passou a usar tornozeleira eletrônica.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, alegando problemas de liquidez e indícios de fraudes na gestão da instituição. Além disso, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar se influenciadores digitais foram pagos para criticar o Banco Central após a liquidação do Master.

O caso segue sob apuração, e o BRB afirmou, em nota, que atua com responsabilidade, ética e transparência, e que continuará informando acionistas e o mercado sobre decisões relevantes, em atendimento às normas da Comissão de Valores Mobiliários.

O que observar a partir de agora

Nos próximos dias, a assembleia de 19 de fevereiro será um ponto-chave para a governança do banco, com a expectativa de votação dos novos nomes para o conselho, que deverão conduzir as revisões internas e a resposta institucional às investigações.

Investidores e clientes estarão atentos às medidas de capital e de governança adotadas pelo BRB, e à evolução das apurações da Polícia Federal e do Ministério Público, que poderão determinar novos desdobramentos administrativos e judiciais.