Reza Pahlavi convoca dia global de ação, reúne 250 mil em Munique e pede que mundo pressione o Irã, alerta para risco de novas vítimas
Em Munique, multidão pediu mudança de regime e exibiu bandeiras pré-1979 enquanto Pahlavi clamou por maior pressão internacional sobre os protestos no Irã
Uma grande manifestação tomou as ruas de Munique neste sábado, convocada pelo exilado Reza Pahlavi e marcada por apelos por maior pressão externa sobre Teerã.
Segundo a polícia, cerca de 250 mil pessoas participaram do ato, que ocorreu paralelamente à Conferência de Segurança de Munique.
Os manifestantes entoaram palavras de ordem por mudança de regime, e houve manifestações similares em cidades como Toronto, em apoio aos protestos no Irã, conforme informação divulgada pelo g1.
A mobilização em Munique e o chamado de Pahlavi
O ato em Munique atendeu a um chamado de Reza Pahlavi por um “dia global de ação” em apoio aos protestos que eclodiram no país, e a multidão superou a expectativa dos organizadores, segundo a polícia.
Com tambores, címbalos e bandeiras verde, branco e vermelho com o leão e o sol, símbolos usados antes da Revolução de 1979, os manifestantes gritavam “mudança, mudança, mudança de regime” e exibiam cartazes com imagens de Pahlavi.
Alguns participantes usaram bonés vermelhos com o slogan Make Iran Great Again, e o senador americano Lindsey Graham estava entre os que usavam o acessório e discursou para o público.
Dados sobre mobilizações globais e presenças
Além de Munique, outras capitais registraram grandes atos, com cerca de 350 mil pessoas marchando em Toronto, de acordo com a polícia local.
Em Nicósia, no Chipre, cerca de 500 pessoas protestaram em frente ao palácio presidencial, com faixas contra o governo iraniano e a favor de Pahlavi.
Os organizadores e participantes disseram querer dar visibilidade às vozes do interior do Irã, onde, segundo relatos, há apagões de internet que dificultam a saída de informações.
Números de mortos e disputas sobre balanços
A Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, afirma que ao menos 7.005 pessoas morreram nos protestos do mês passado, incluindo 214 integrantes das forças de segurança, segundo o levantamento do grupo.
O governo iraniano divulgou um balanço oficial em 21 de janeiro, informando 3.117 mortos, e autoridades já foram acusadas anteriormente de subnotificar vítimas em períodos de agitação.
A Associated Press, citada na cobertura original, não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos, já que o acesso à internet e as comunicações internacionais foram interrompidos no Irã.
Apelos por ação internacional e riscos destacados por Pahlavi
Em entrevista coletiva, Pahlavi alertou para o risco de novas mortes caso “as democracias apenas observem” a repressão do governo iraniano aos protestos.
Ele afirmou, em tradução para o português, “Nos reunimos em um momento de profundo perigo para perguntar, o mundo ficará ao lado do povo do Irã?”, e disse que a permanência do atual governo “envia um sinal claro a qualquer tirano, mate pessoas suficientes e você continuará no poder”.
O tema também ganhou tom geopolítico, com o ex-presidente Donald Trump pressionando por ações mais duras contra o Irã, e afirmando que uma mudança de regime no país “seria a melhor coisa que poderia acontecer”.
Reza Pahlavi vive no exílio há quase 50 anos, e tenta se apresentar como figura relevante para o futuro político do país, enquanto grupos de oposição, incluindo apoiadores do Mujahedin do Povo do Irã, também participaram das mobilizações na Alemanha.