Apelo de Reza Pahlavi na Conferência de Segurança de Munique provoca grandes atos com tambores, bandeiras e gritos por mudança de regime, e mobilizações também em Toronto e Los Angeles
O príncipe herdeiro exilado, Reza Pahlavi, convocou a comunidade internacional a apoiar os iranianos, em um apelo que levou centenas de milhares às ruas em várias cidades.
Em Munique, a polícia estimou que cerca de 250 mil pessoas participaram de uma manifestação que ocorreu em paralelo à conferência de segurança, com faixas, tambores e palavras de ordem por mudança de regime.
O movimento foi parte do chamado “Dia Global de Ação”, que também reuniu multidões em Toronto e Los Angeles, conforme informação divulgada pelo g1
Como foi a manifestação em Munique e quem participou
A multidão em Munique entoou gritos por mudança de regime e exibiu bandeiras verde, branco e vermelho com o leão e o sol, símbolos usados antes de 1979, e cartazes com imagens de Reza Pahlavi.
Organizadores foram surpreendidos pelo tamanho do público, e além de iranianos exilados também participaram apoiadores de grupos de oposição, e políticos internacionais, entre eles o senador americano Lindsey Graham.
Alguns manifestantes usaram bonés com o slogan traduzido como “Faça o Irã Grande Outra Vez“, e o senador Graham discursou para a plateia em Munique.
Apelos e alertas do príncipe exilado
Em entrevista coletiva, Reza Pahlavi pediu maior pressão contra Teerã e alertou para o risco de novas mortes caso as democracias apenas observem a repressão.
Em suas palavras, “Nos reunimos em um momento de profundo perigo para perguntar: o mundo ficará ao lado do povo do Irã?“
Ele acrescentou que a permanência do atual governo, “envia um sinal claro a qualquer tirano: mate pessoas suficientes e você continuará no poder“, e pediu que governos aumentem a pressão diplomática e as sanções, segundo relatos.
Dados sobre vítimas e dificuldades de verificação
Organizações de direitos humanos relatam números divergentes sobre as mortes durante os protestos recentes no Irã.
A Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos, afirma que ao menos 7.005 pessoas morreram nos protestos do mês passado, incluindo 214 integrantes das forças de segurança, segundo verificação da agência junto a ativistas no país.
O governo iraniano divulgou um balanço oficial, em 21 de janeiro, informando 3.117 mortos, e já foi acusado anteriormente de subnotificar vítimas em períodos de agitação.
A Associated Press informou que não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos, porque o acesso à internet e as comunicações internacionais foram interrompidos no Irã, o que dificulta a checagem de dados.
Reações internacionais e contexto político
Além dos atos em Munique, cerca de 350 mil pessoas marcharam em Toronto, segundo a polícia local, e houve protestos em outras cidades, como Nicosia, no Chipre.
O debate sobre o Irã também entrou na agenda política dos Estados Unidos, com o ex-presidente Donald Trump aumentando a pressão e afirmando que uma mudança de regime no Irã “seria a melhor coisa que poderia acontecer“.
Analistas destacam que o movimento convocado por Reza Pahlavi busca combinar mobilização internacional com apoio a protestos internos, enquanto críticos apontam para riscos de instrumentalização política por atores externos.
O desfecho das manifestações e a reação de governos estrangeiros nas próximas semanas podem influenciar a escalada diplomática com Teerã, e a capacidade de dissidentes iranianos de manter visibilidade internacional.