Reza Pahlavi pede apoio internacional ao povo iraniano, protestos em Munique reúnem 250 mil pessoas e acendem alerta sobre repressão e mortos
Reza Pahlavi convocou um dia global de ação e pediu mais pressão sobre Teerã, enquanto multidões em Munique e Toronto exigiram mudança de regime e denunciaram cortes de internet
Milhares de pessoas se reuniram em Munique neste sábado para protestar contra o governo iraniano, em resposta ao apelo do príncipe exilado Reza Pahlavi.
A polícia local estimou que cerca de 250 mil manifestantes ocuparam a cidade alemã, em um ato paralelo a um encontro de líderes mundiais, com tambores, bandeiras e pedidos por mudança de regime.
Os organizadores também registraram mobilizações em outras cidades, como Toronto, onde a polícia informou cerca de 350 mil participantes, enquanto apoiadores pedem mais pressão internacional sobre Teerã, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto em Munique e os símbolos apresentados
Em Munique, manifestantes ergueram bandeiras verde, branco e vermelho com o leão e o sol, símbolo usado antes da Revolução Islâmica, e entoaram gritos como “mudança, mudança, mudança de regime”.
Alguns participantes usaram bonés vermelhos com o slogan Make Iran Great Again, usado por apoiadores do ex-presidente dos Estados Unidos, e o senador Lindsey Graham foi visto usando o acessório antes de discursar ao público.
Cartazes com imagens de Reza Pahlavi apareceram entre os manifestantes, e havia faixas pedindo democracia e a volta do príncipe ao cenário político iraniano.
Os pedidos de Reza Pahlavi e o apelo internacional
Em entrevista coletiva, Reza Pahlavi alertou para o risco de mais mortos caso, nas suas palavras, “as democracias apenas observem” a repressão do governo aos protestos do mês passado.
Ele afirmou que a permanência do atual governo “envia um sinal claro a qualquer tirano, mate pessoas suficientes e você continuará no poder”, e pediu que a comunidade internacional apoie o povo do Irã com mais pressão diplomática e sanções.
Números de mortos, fontes e dificuldades de verificação
Organizações de direitos afirmam números divergentes sobre vítimas dos protestos. A Human Rights Activists News Agency, sediada nos EUA, diz que ao menos 7.005 pessoas morreram, incluindo 214 integrantes das forças de segurança.
O governo iraniano divulgou um balanço oficial em 21 de janeiro informando 3.117 mortos, e autoridades já foram acusadas anteriormente de subnotificar vítimas em períodos de agitação.
A Associated Press, citada pelo g1, afirma que não conseguiu verificar de forma independente os números devido a cortes de internet e interrupções nas comunicações no Irã.
Reações e riscos políticos
Além dos protestos em Munique e Toronto, houve atos menores em cidades como Nicósia, com cerca de 500 pessoas em frente ao palácio presidencial do Chipre, segundo relatos locais.
Figuras políticas internacionais, como o ex-presidente Donald Trump, intensificaram pressões sobre Teerã, com ameaças de ação militar e pedidos de redução do programa nuclear, e Trump chegou a dizer que uma mudança de regime no Irã “seria a melhor coisa que poderia acontecer”.
Analistas apontam que as manifestações no exterior aumentam a visibilidade das demandas internas por direitos e democracia, enquanto ativistas dentro do Irã enfrentam restrições severas à comunicação e risco de repressão.