Prefeito afirma ‘Nem Jesus Cristo salva essa Enel’, critica ‘capacidade de mentiras’ e diz que ‘mais de 80% dos locais’ sem energia não tiveram queda de árvores
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, respondeu com críticas duras a uma declaração do CEO global da Enel sobre as causas dos apagões na região metropolitana.
Em entrevista, o executivo da empresa afirmou que, diante da arborização, nem “Jesus Cristo” conseguiria evitar interrupções em tempestades, comentário que provocou reação imediata da gestão municipal.
As declarações e os números sobre quedas de energia e laudos técnicos vêm sendo discutidos publicamente, com a Aneel avaliando medidas contra a concessionária, conforme informação divulgada pelo g1.
Troca de acusações entre prefeitura e Enel
Em reação à fala do CEO Flavio Cattaneo, o prefeito declarou, “Nem Jesus Cristo salva essa Enel. Muita cara de pau. Um deboche. O nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar“, e acrescentou que “Mais de 80% dos locais que ficaram sem energia não tiveram queda de árvores“, atribuindo à empresa responsabilidade pela má prestação do serviço.
Cattaneo havia dito que “Na nossa avaliação, não se trata apenas de um problema da Enel. Se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver, e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”, e afirmou ainda que os cabos de energia, em muitos pontos, estão “dentro das árvores“, o que, segundo ele, dificulta o restabelecimento após tempestades.
Apagões recentes e investigação da Aneel
Os serviços da Enel estão sob escrutínio público desde o fim de 2024, após empresas do grupo demorar dias para restaurar energia depois de eventos climáticos extremos.
O problema mais grave ocorreu em dezembro, quando um grande apagão afetou 4,4 milhões de consumidores na Grande São Paulo, episódio que ampliou a investigação da Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, sobre a possível caducidade da concessão da Enel no estado.
O diretor Gentil Nogueira pediu mais 60 dias para elaborar seu voto sobre o processo, prazo que deve ser avaliado pela diretoria da Aneel, enquanto o diretor-geral Sandoval Feitosa manifestou posição contrária, defendendo deliberação em caráter de urgência.
Laudos, perícias e dados sobre árvores
A Enel apresentou um projeto-piloto que mapeou 770 mil árvores na área de concessão na Grande São Paulo em parceria com prefeituras, e informou que, do total de árvores que caíram durante o apagão de dezembro de 2025, apenas 9 das 145 tinham risco, segundo material encaminhado à Aneel.
Uma perícia contratada pela Enel, iniciada em outubro de 2024, apontou que a principal causa do tombamento foi a força do vento, com fatores secundários, como presença de fungos, também contribuindo, segundo o laudo divulgado pela empresa.
Defesa da Enel, investimentos e próximos passos
A empresa tem apresentado defesas jurídicas, com pareceres de especialistas que contestam a inclusão do apagão de dezembro no processo de caducidade, argumentando questões de legalidade e constitucionalidade.
No plano global, a Enel anunciou um investimento de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com foco em renováveis, e informou que cerca de 6,2 bilhões de euros serão direcionados às operações na América Latina, incluindo Brasil, Chile, Colômbia e Argentina, condicionados a um ambiente regulatório previsível.
Enquanto a discussão segue na Aneel e no poder público, a queda de braço entre autoridades e a concessionária tende a definir medidas que podem ir de maior fiscalização a mudanças contratuais, e a população aguarda respostas sobre planos concretos para reduzir riscos de novos apagões.