quinta-feira, junho 4, 2026

Rombo das contas externas de 2025 atinge US$ 68,8 bilhões, maior em 11 anos, Banco Central aponta causas, investimentos e projeção para 2026

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Rombo das contas externas foi influenciado por menor superávit comercial e déficits em serviços e renda, o BC projeta rombo menor, de US$ 60 bilhões, em 2026

O déficit das transações correntes do Brasil chegou a US$ 68,8 bilhões em 2025, o maior em 11 anos e um resultado impactado por comércio, serviços e remessas de renda, segundo dados oficiais.

A leitura do Banco Central associa o tamanho do déficit ao ritmo de crescimento da economia, porque quando a atividade cresce, aumentam também as importações e gastos com serviços no exterior.

Os números e a avaliação foram divulgados oficialmente, conforme informação divulgada pelo g1.

Como se formou o rombo de US$ 68,8 bilhões

O resultado de US$ 68,8 bilhões em 2025 supera o saldo de US$ 66,2 bilhões de 2024, e, conforme o balanço do BC, o rombo de 2025 foi o pior resultado para um ano fechado desde 2014, em uma série histórica iniciada em 1995.

O Banco Central destaca que a composição do saldo em transações correntes inclui balança comercial, serviços e renda primária, e que a dinâmica desses componentes explica o aumento do déficit em 2025.

Balança comercial, serviços e renda primária

A balança comercial registrou superávit de US$ 59,9 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 65,9 bilhões de 2024, redução que pressionou o saldo externo.

A conta de serviços apresentou déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, ante déficit de US$ 55,2 bilhões em 2024. Já a conta de renda primária, que considera remessas como lucros, dividendos e juros, mostrou saldo negativo de US$ 81,3 bilhões em 2025, o mesmo valor reportado no ano anterior.

Investimento estrangeiro direto e expectativas para 2026

O Banco Central informou que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 77,6 bilhões em 2025, contra US$ 74,1 bilhões em 2024, e projetou que esses fluxos devem cair para cerca de US$ 70 bilhões em 2026.

Para as contas externas, o BC estima um alívio em 2026, com rombo menor, de US$ 60 bilhões, pela expectativa de aumento do saldo comercial, com expansão das exportações e estabilidade das importações, e por recuos modestos dos déficits em serviços e renda primária, resultantes do menor dinamismo da atividade doméstica.

O que muda para consumidores e empresas

Na prática, um déficit maior nas contas externas costuma refletir maior demanda por bens e serviços importados, o que pode pressionar a atividade de setores que dependem de insumos estrangeiros e influenciar variáveis como a taxa de câmbio.

O Banco Central também aponta que parte do aumento esperado nas exportações em 2026 deve vir de maior volume, especialmente petróleo, e que a tendência estrutural de crescimento das importações de bens intermediários pode ser moderada pela desaceleração da demanda interna.

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