Rombo das contas externas em 2025 sobe a US$ 68,8 bilhões, maior em 11 anos, e mostra pressão da balança, investimentos estrangeiros e projeções do Banco Central

O Banco Central aponta que o rombo das contas externas reflete maior demanda por importações, déficit de renda primária e variação no investimento estrangeiro direto, afetando 2026

O avanço do déficit externo em 2025 colocou novamente no radar o tema da sustentabilidade externa do país, com impacto sobre a confiança e a dinâmica do câmbio.

Setores que medem comércio de bens, serviços e renda foram determinantes para a piora, enquanto entradas de capital tentaram compensar o rombo.

Ao longo do texto, explicamos as causas, os números e as projeções do Banco Central para 2026, com dados e citações oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o rombo das contas externas cresceu em 2025

O resultado das contas externas piorou por uma combinação de fatores. Em 2025, o déficit das contas externas brasileiras avançou para US$ 68,8 bilhões, contra US$ 66,2 bilhões em 2024, segundo dados do Banco Central.

A balança comercial manteve superávit, porém menor do que no ano anterior, com saldo de US$ 59,9 bilhões em 2025, ante US$ 65,9 bilhões em 2024, conforme a metodologia do BC.

As contas de serviços e de renda primária também pesaram. A conta de serviços mostrou déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, ligeiramente abaixo do déficit de US$ 55,2 bilhões em 2024, enquanto a conta de renda primária registrou resultado negativo de US$ 81,3 bilhões em 2025, valor igual ao ano anterior.

Investimento estrangeiro direto e financiamento do déficit

O Banco Central informou ainda sobre o fluxo de investimentos. Segundo a autoridade, “os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira recuaram na comparação com o ano passado”. Na mesma nota, consta que os estrangeiros trouxeram US$ 77,6 bilhões em 2025, contra US$ 74,1 bilhões no ano anterior.

Essas entradas foram suficientes para financiar, em grande parte, o déficit externo de 2025, embora a combinação entre volumes de comércio, despesas com serviços e remessas de lucros continue pressionando o saldo corrente.

O que o Banco Central projeta para 2026

Para 2026, o BC estima um alívio no rombo das contas externas, com projeção de déficit de US$ 60 bilhões. A instituição também prevê redução dos investimentos estrangeiros diretos para US$ 70 bilhões em 2026.

O próprio Banco Central destacou, em seu relatório, a expectativa de melhora em 2026, afirmando, “O déficit nas transações correntes deve mostrar algum alívio em 2026 (…) Espera-se aumento do saldo comercial em relação a 2025, com expansão das exportações e estabilidade nas importações, acrescido de pequenos recuos dos déficits nas contas de serviços e de renda primária, resultantes do menor dinamismo da atividade econômica doméstica.”

Segundo o BC, parte do crescimento das exportações em 2026 deve decorrer de maior volume, especialmente de petróleo, enquanto a tendência estrutural de aumento das importações, principalmente de bens intermediários, pode ser compensada pela moderação da demanda doméstica e pela menor importação de plataformas de petróleo.

O que observar adiante

O rombo das contas externas em 2025, o maior em 11 anos na série iniciada em 1995, reforça a importância de acompanhar fluxos de comércio, preço e volume de commodities, e as decisões de empresas sobre remessas de lucros.

As projeções do Banco Central para 2026 indicam melhora, porém dependem de variáveis externas e do ritmo da atividade doméstica, fatores que podem alterar a trajetória do rombo das contas externas e a necessidade de financiamento pelo mercado internacional.