Rombo das estatais federais chega a R$ 6,3 bilhões no ano, com Correios pressionando déficit, empréstimo de R$ 12 bilhões e pedido de R$ 8 bilhões para 2026
Saldo acumulado de R$ 6,3 bilhões até novembro reflete aumento de investimentos e a crise dos Correios, com impacto direto no resultado fiscal e opções de socorro
Rombo das estatais federais alcançou R$ 6,3 bilhões no acumulado do ano, em um movimento que preocupa pelo tamanho do déficit e pela pressão sobre as contas públicas.
O resultado reúne variações importantes entre anos recentes e mostra como empresas com dificuldades operacionais podem alterar o quadro agregado.
O conjunto de dados e declarações citadas abaixo foi compilado conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o déficit cresceu
Segundo a série utilizada pelo governo, “A comparação começou em 2009, quando o cálculo mudou para desconsiderar grandes empresas federais como Petrobras e Eletrobras.” Essa metodologia exclui companhias com regras diferenciadas e perfil de mercado aberto.
O aumento do déficit, conforme apontado pelos analistas, está ligado em parte ao crescimento dos investimentos das estatais federais, mas também foi agravado por empresas em crise, que demandam recursos extras e trazem impacto negativo no resultado agregado.
Em números, “No acumulado até novembro do ano passado, as estatais federais haviam registrado déficit de R$ 6 bilhões. No mesmo período de 2023, o saldo negativo foi de R$ 343 milhões. Já em 2022 e 2021, por exemplo, o saldo foi superavitário em R$ 4,5 bilhões e R$ 3,2 bilhões, respectivamente.” Esses dados mostram a reversão recente, com aumento rápido do rombo.
Crise dos Correios pressiona o resultado
Um dos casos mais relevantes é o dos Correios, que tem contribuído para o aumento do rombo das estatais federais no ano. Nesta frente, houve declarações oficiais e medidas financeiras relevantes.
Conforme divulgado, “Nesta segunda-feira (29), o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que a companhia precisará de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento da crise financeira.” A empresa ainda busca a melhor forma de obter esses recursos, entre aportes públicos do Tesouro Nacional e novos empréstimos.
Além disso, “Na semana passada, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias, para quitar dívidas e aliviar o caixa.” A estatal inicialmente havia pensado em um empréstimo maior, e “A ideia inicial da estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões, que não foi autorizado pelo Tesouro Nacional em função da alta taxa de juros que havia sido proposta.”
Riscos e próximos passos
O aumento do rombo das estatais federais levanta questões sobre sustentabilidade fiscal e sobre como o governo e as próprias empresas vão financiar reestruturações e investimentos.
Se parte do socorro vier do Tesouro Nacional, haverá impacto direto no orçamento público, já se vier via mercado, os custos de juros e garantias poderão pesar nas decisões futuras das estatais.
Para reduzir o déficit, será preciso combinar gestão de custos, reestruturação das empresas em pior situação, e decisões sobre aporte público versus endividamento, com atenção às condições de mercado e à capacidade de recuperação operacional.