Rota Mogiana: Consórcio da Azevedo e Travassos arremata concessão com oferta de R$ 1,084 bilhão, assume 520 km por 30 anos e projeta R$ 9,4 bilhões em obras
Concessão de 30 anos passa por 22 municípios, prevê duplicações, cobrança proporcional pelo free flow e redução de até 29% nas tarifas, segundo g1
O consórcio Rota Mogiana, liderado pelo grupo Azevedo e Travassos, venceu o leilão realizado na B3 com a maior proposta para operar um corredor rodoviário no interior paulista.
A oferta vencedora foi de R$ 1.084.842.068,71, e o contrato prevê investimentos e obras ao longo de três décadas, segundo os documentos do leilão.
Todos os números e declarações iniciais sobre a operação foram divulgados durante a sessão de abertura de envelopes, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes da proposta vencedora e do leilão
O consórcio Rota Mogiana apresentou a oferta de R$ 1.084.842.068,71, valor que representou um ágio de 187.037,54% sobre o mínimo previsto em edital.
Outras propostas registradas no leilão foram, entre outras, R$ 1.019.814.000,00 pela MC Brazil Concessões Rodoviárias, R$ 560.000.000,00 pela EPR Participações, e R$ 180.285.000,00 pela Motiva.
Igor Jefferson Lima Clemente, representante do consórcio Rota Mogiana, afirmou, “Vencer a Rota Mogiana significa assumir a responsabilidade dos trechos mais relevantes do estado de São Paulo, um corredor que conecta prósperas cidades, que integra o agronegócio, integra a indústria e o turismo”.
Obras previstas, trechos incluídos e tecnologia
A futura concessão abrange 520 quilômetros de rodovias estaduais, com duração contratual de 30 anos e previsão de R$ 9,4 bilhões em investimentos para ampliar, modernizar e manter a malha viária.
Entre as intervenções planejadas estão duplicações de mais de 217 quilômetros, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas de pedestres e 129 novos dispositivos de interseção.
Também está prevista a implementação do sistema automático livre, o free flow, que cobra proporcionalmente pelo trecho percorrido, sem praças físicas de parada.
Impacto para municípios, tarifas e segurança
A concessão deve impactar 22 municípios, incluindo nove cidades da região de Campinas, e beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas, segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos de SP.
O governo do estado anunciou redução inicial nas tarifas em pontos da malha, com quedas de até 29% em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e 20% em Espírito Santo do Pinhal, e defende o princípio da “justiça tarifária”, ou seja, cobrança proporcional ao uso da via.
Em nota, o Governo de SP também citou dados do Infosiga, informando, “De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa”.
Críticas, riscos e avaliação de especialistas
O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, aponta que, “embora haja redução inicial nas tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo do contrato, que é de 30 anos”, e que a modernização altera o tipo de risco nas rodovias.
Segundo o especialista, “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”, o que exige adaptação de condutores à nova dinâmica de tráfego.
O modelo de free flow tende a reduzir gargalos causados por pontos de parada, mas também exige sistemas eficazes de cobrança e fiscalização para evitar inadimplência e autuações, alerta o mesmo pesquisador.
Ao final, a concessionária vencedora ficará responsável por executar as obras previstas, operar a cobrança proporcional e manter a malha sob supervisão da agência reguladora estadual, com expectativa de ampliar capacidade viária e reduzir pontos de retenção.