Sessão na B3 nesta sexta vai escolher entre quatro grupos a empresa que administrará por 30 anos trechos em 22 municípios, com duplicações, marginais e cobrança proporcional por trecho
A concessão conhecida como Rota Mogiana entra em fase decisiva, com leilão marcado para a Bolsa de Valores de São Paulo, na sessão pública que definirá o novo operador das estradas.
O vencedor assumirá a administração por 30 anos, e o projeto prevê intervenções para ampliar a capacidade e a fluidez das rodovias, além da implantação do sistema de pedágio automático, o free flow.
Conforme informação divulgada pelo g1
O que está em jogo
O leilão definirá a empresa que administrará, por 30 anos, 520 km de rodovias estaduais, que passam por 22 municípios de SP, conforme a proposta em disputa.
A concessão da Rota Mogiana abrange trechos que cruzam 22 municípios, nove da região de Campinas, e, segundo o governo, devem beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas, conforme informação divulgada pelo g1.
São eles, Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.
Propostas, valores e obras previstas
Quatro grupos apresentaram propostas para a concessão: Motiva (ex-CCR), MC Brazil Concessões Rodoviárias (do fundo Mubadala), EPR Participações e o Consórcio Rota Mogiana, liderado pelo grupo Azevedo e Travassos, conforme informação divulgada pelo g1.
O projeto prevê R$ 9,4 bilhões de investimentos, com obras como duplicações de mais de 217 quilômetros, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas para pedestres e 129 novos dispositivos de interseção, além da implementação do Sistema Automático Livre (Free Flow).
A concessionária vencedora ficará responsável pelas obras previstas, manutenção da malha e operação do pedágio, sob fiscalização da agência reguladora estadual.
Pedágio free flow e efeitos para usuários
O governo do estado afirma que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em algumas praças de pedágios, além da implantação da cobrança proporcional pelo sistema free flow.
O modelo free flow permite que o motorista pague apenas pelo trecho percorrido, mas especialistas e experiências anteriores apontam riscos de inadimplência e necessidade de adaptação do usuário ao novo sistema.
O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, afirma que “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”, e lembra que a eliminação de pontos de parada tende a aumentar velocidade média, exigindo nova cultura de direção.
Impactos de segurança e fiscalização
Em nota citada pela reportagem, o Governo de SP destacou que as concessões rodoviárias no estado estão associadas à redução consistente de acidentes e mortes e que o contrato estabelece padrões técnicos sob fiscalização da Artesp.
“De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa”, diz a nota citada pela reportagem, atribuída ao governo do estado.
Especialistas reforçam que a melhoria estrutural tende a reduzir colisões típicas de tráfego congestionado, mas que o novo quadro traz desafios, como a potencial elevação de acidentes por maior velocidade, e que a cobrança proporcional aumenta a justiça tarifária, segundo o governo.
O processo será acompanhado de perto nas próximas semanas, com atenção às propostas financeiras dos consórcios, ao cronograma das obras e à transição operacional entre os trechos que hoje já são administrados por concessionárias privadas e os que passam da gestão direta do DER-SP para o novo contrato.