Rota Mogiana leiloada por R$ 1,084 bilhão, consórcio Azevedo e Travassos assume 520 km por 30 anos, prevê R$ 9,4 bi em obras e redução nos pedágios
Com oferta de R$ 1.084.842.068,71, consórcio Rota Mogiana vence leilão na B3 e fica responsável por 520 quilômetros, implantação do free flow e obras em 22 municípios
O consórcio Rota Mogiana, liderado pelo grupo Azevedo e Travassos, foi declarado vencedor do leilão da concessão que abrange 520 quilômetros de rodovias estaduais no interior de São Paulo.
O contrato terá duração de 30 anos e prevê um pacote de investimentos estimado em R$ 9,4 bilhões, com duplicações, faixas adicionais, vias marginais e implantação do sistema de cobrança por trecho, o chamado free flow.
A proposta vencedora somou R$ 1.084.842.068,71 e registrou um ágio de 187.037,54% sobre o valor previsto em edital, conforme informação divulgada pelo g1
Como foi o leilão e quais foram as propostas
A abertura dos envelopes ocorreu na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, e registrou quatro ofertas. O Consórcio Rota Mogiana apresentou a proposta vencedora de R$ 1.084.842.068,71, seguido por MC Brazil Concessões Rodoviárias, do fundo Mubadala, com R$ 1.019.814.000,00.
As demais propostas foram de EPR Participações, com R$ 560.000.000,00, e Motiva, ex-CCR, com R$ 180.285.000,00. A diferença entre a oferta vencedora e o valor do edital resultou no ágio de 187.037,54%.
Obras previstas e alcance da concessão
O pacote inclui duplicações de mais de 217 quilômetros, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas para pedestres, 129 dispositivos de interseção e a implementação do sistema free flow.
A concessão abrange trechos que cruzam 22 municípios, entre eles nove da região de Campinas, e deve impactar cerca de 2,3 milhões de pessoas, segundo dados apresentados no processo de contratação.
Igor Jefferson Lima Clemente, representante do consórcio Rota Mogiana, afirmou, “Vencer a Rota Mogiana significa assumir a responsabilidade dos trechos mais relevantes do estado de São Paulo, um corredor que conecta prósperas cidades, que integra o agronegócio, integra a indústria e o turismo”.
Pedágio free flow, tarifas e impactos para motoristas
O governo estadual informou que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em algumas praças de pedágio, além da cobrança proporcional pelo sistema free flow, em que o motorista paga apenas pelo trecho percorrido.
Especialistas ouvidos no processo apontam que o free flow reduz gargalos criados por praças físicas, mas exige adaptação dos condutores e cuidado com inadimplência, especialmente para veículos com reboque, cuja tarifa pode ser multiplicada.
Segurança viária, fiscalização e riscos
Segundo avaliação técnica, duplicações e intervenções em pontos de estrangulamento tendem a aumentar a fluidez e reduzir colisões típicas de tráfego congestionado, embora possam elevar acidentes relacionados à velocidade.
O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, disse, “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”.
O governo do Estado citou dados consolidados pelo Infosiga, afirmando, “De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa”.
A concessionária vencedora terá responsabilidade pela execução das obras, manutenção da malha e operação do sistema de cobrança, sob fiscalização da agência reguladora estadual, com metas contratuais de qualidade e manutenção durante os 30 anos do contrato.