Roubo multimilionário em Gelsenkirchen, Sparkasse: como ladrões abriram mais de 3.000 cofres e podem ter levado até €100 milhões sem serem notados
Investigação aponta buraco de 40 cm, alarmes ignorados, suspeita de corrupção interna e clientes que perderam joias, dinheiro e economias de vida inteira
Nos últimos dias de 2025, um grupo de ladrões invadiu uma agência do banco Sparkasse em Gelsenkirchen e abriu um buraco na parede da sala-cofre, levando milhões de euros de mais de 3.000 cofres.
A ação passou despercebida por dias, gerando choque e indignação entre clientes que dizem ter perdido economias, joias de família e objetos insubstituíveis.
O caso levanta perguntas sobre segurança, falhas em alarmes e possível conivência, e segue sob investigação policial e estadual, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o roubo multimilionário em Gelsenkirchen ocorreu
Investigadores acreditam que os criminosos entraram no prédio por um estacionamento adjacente no bairro de Buer, corrompendo uma porta de saída que, em circunstâncias normais, não poderia ser aberta pelo lado de fora.
Depois de obter “acesso irrestrito do estacionamento ao prédio do Sparkasse”, a quadrilha teria burlado sistemas de segurança e chegado a uma sala de arquivos ao lado do cofre, no subsolo, onde montaram uma furadeira industrial e perfuraram a parede, abrindo um furo de 40 cm de largura que dava acesso à caixa-forte.
Segundo as informações disponíveis, foram arrombados quase todos os 3.250 cofres que ficam na caixa-forte, enquanto a contagem inicial aponta “mais de 3.000 cofres” afetados, em um dos episódios que as autoridades já descrevem como o mais “espetacular” assalto a banco na Alemanha em anos.
Sequência cronológica e sinais perdidos
As autoridades estimam que o roubo tenha ocorrido entre o sábado, 27 de dezembro, e a segunda-feira, 29 de dezembro de 2025.
Pouco depois das 6h do dia 27 de dezembro, o corpo de bombeiros de Gelsenkirchen recebeu um alerta de incêndio proveniente do banco, que pode ter sido acionado pelos ladrões.
Polícia e 20 bombeiros chegaram à agência às 6h15, “mas não encontraram nada que indicasse danos”, disse a polícia. O alarme vinha da caixa-forte, porém a equipe não conseguiu entrar porque ela estava trancada com uma porta de aço de enrolar.
Os bombeiros, segundo relato oficial, não detectaram “fumaça, cheiro de fogo ou danos”, por isso “concluíram que era um alarme falso”, uma situação descrita como não incomum.
Dados dos sistemas de informática do banco mostram que o primeiro cofre foi arrombado às 10h45 do dia 27 de dezembro e o último às 14h44, o que gera dúvidas se a abertura de milhares de cofres ocorreu em poucas horas ou se houve interrupção nos registros.
O que foi levado, danos e relatos de clientes
A polícia ainda não divulgou um valor oficial do montante roubado, mas a imprensa alemã estima que o prejuízo possa ter chegado a **até 100 milhões de euros**.
Nas imagens divulgadas pelas autoridades, a cena dentro da caixa-forte aparece como, segundo o ministro do Interior regional, uma imagem de “um lixão”, com mais de 500 mil itens espalhados pelo chão, muitos danificados por água e produtos químicos.
Clientes reuniram-se em frente à agência na descoberta do crime, e relatos pessoais marcaram a repercussão. Joachim Alfred Wagner, de 63 anos, disse que perdeu ouro e joias de família e afirmou, em reação emocional, “Chorei de raiva”.
Um cliente relatou ter deixado 400 mil euros em dinheiro vivo no cofre após a venda de um apartamento, valor que seria destinado à aposentadoria.
O banco informou que “o conteúdo de cada cofre costuma estar segurado no valor de 10.300 euros”, e também afirmou ter sido vítima do crime, defendendo que suas instalações eram “protegidas de acordo com a tecnologia de ponta reconhecida”.
Falhas apontadas, hipóteses e repercussão política
Autoridades questionam por que a furadeira e o movimento não foram detectados, como os ladrões sabiam a localização dos cofres e se houve auxílio de alguém de dentro, já que foi possível manipular uma porta que deveria ser inviolável.
O chefe de polícia, Tim Frommeyer, classificou o caso como “um dos maiores casos criminais da história do estado da Renânia do Norte-Vestfália” e afirmou que seu departamento está ciente da magnitude do caso, “Os danos financeiros, a incerteza e a frustração são profundos!”
O episódio rapidamente ganhou tonalidade política, com manifestações e uso do caso por grupos, enquanto a revista Der Spiegel destacou que o roubo tornou-se símbolo de uma sensação maior de que “as promessas de segurança são vazias, de que as instituições estão falhando”.
Investigação em andamento e o pedido das autoridades
Desde a descoberta, a polícia tem vasculhado cuidadosamente o local para reunir pistas, identificar a quem pertencem os itens encontrados e seguir rastros dos dois veículos registrados nas imagens, um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco, ambos com placas falsas.
Até o momento, não há prisões divulgadas, e as autoridades pedem que eventuais testemunhas se apresentem para colaborar com as investigações.
O ministro Herbert Reul ressaltou a necessidade de atenção às vítimas, dizendo que além do prejuízo material, o dano psicológico não deve ser subestimado, “Precisamos ajudar as vítimas”.
O caso do **roubo multimilionário em Gelsenkirchen** segue aberto, com forças de segurança trabalhando para esclarecer como uma ação de enorme escala passou tanto tempo sem detecção e para responsabilizar os envolvidos.