Roubo multimilionário na Alemanha: quadrilha invade agência do Sparkasse em Gelsenkirchen, abre milhares de cofres e estimativa aponta até €100 milhões em perdas
Caso em Gelsenkirchen expõe falhas, clientes relatam perdas de joias e economias, e autoridades ainda não prenderam suspeitos após saque em massa nos cofres
Nos últimos dias de 2025, um grupo de criminosos invadiu uma agência do Sparkasse em Gelsenkirchen, na Renânia do Norte-Vestfália, e abriu um número expressivo de cofres no subsolo, deixando clientes em choque.
A ação, que só foi percebida plenamente pelas autoridades dias depois, tem sido descrita como um roubo multimilionário na Alemanha e provocou debate sobre confiança em bancos e na segurança de cofres privados.
O episódio e os dados iniciais sobre horários, métodos e prejuízos foram relatados pela imprensa e por autoridades locais, conforme informação divulgada pelo g1.
Como a quadrilha agiu
Investigadores acreditam que os ladrões entraram pelo estacionamento ao lado do banco, no bairro de Buer, e teriam conseguido impedir que uma porta de saída fechasse corretamente, o que deu acesso irrestrito do estacionamento ao prédio do Sparkasse, segundo as autoridades.
A partir dali, os criminosos burlaram sistemas de segurança e chegaram a uma sala de arquivos junto ao cofre, no subsolo, onde montaram uma furadeira industrial para abrir a parede que dava acesso à câmara dos cofres.
As equipes policiais informaram que foi feito um furo de cerca de 40 cm de largura na parede que protegia a caixa forte. As câmeras do estacionamento registraram homens com o rosto coberto carregando sacolas e dois veículos, um Audi RS 6 preto e um Mercedes Citan branco, ambos com placas falsas.
Cronologia e sinais perdidos
As autoridades traçaram uma linha do tempo parcial dos eventos. Na manhã de 27 de dezembro, pouco depois das 6h, o corpo de bombeiros e uma empresa de segurança receberam um alerta de incêndio da agência. Bombeiros e policiais chegaram por volta das 6h15, mas não observaram fumaça, cheiro de fogo ou danos visíveis, então concluíram que era um alarme falso, segundo relatos do ministro Herbert Reul.
Mais tarde, dados dos sistemas informáticos do banco indicaram que o primeiro cofre foi arrombado às 10h45 do dia 27 de dezembro e o último às 14h44 do mesmo dia. Não está claro se a quadrilha abriu a maioria dos cofres nesse intervalo de quatro horas ou se os registros deixaram de ser atualizados.
Um segundo alarme disparou na madrugada de 29 de dezembro, às 3h58, e quando os bombeiros retornaram encontraram a cena de vandalismo e saque, o que levou à confirmação do crime em grande escala.
Escala do prejuízo e relatos de vítimas
Dentro do cofre, a polícia encontrou um cenário descrito pelo ministro como “um lixão”, com mais de 500 mil itens espalhados pelo chão, muitos danificados por água e produtos químicos jogados pelos criminosos.
As autoridades informaram que quase todos os 3.250 cofres foram abertos, e o conteúdo roubado varia de dinheiro em espécie a ouro e joias de família. A imprensa alemã estimou que o valor levado pode ter chegado a até 100 milhões de euros, embora a cifra ainda não tenha sido confirmada oficialmente.
Clientes afetados relataram perdas devastadoras, incluindo quem guardava economias de uma vida inteira. Um caso citado foi o de um correntista que havia deixado 400 mil euros em dinheiro vivo no cofre, quantia destinada à aposentadoria.
Joachim Alfred Wagner, de 63 anos, afirmou que perdeu joias de família e disse, em reação pública, “Chorei de raiva”. O advogado dele classificou o episódio como consequência de “segurança negligente” por parte do banco.
Reações do banco, autoridades e investigação
O Sparkasse informou que costuma segurar o conteúdo de cada cofre no valor de 10.300 euros, e também se colocou como vítima do crime, afirmando que suas instalações eram “protegidas de acordo com a tecnologia de ponta reconhecida”.
O ministro estadual Herbert Reul ressaltou que “Nem mesmo o Sparkasse sabe o que há [nos cofres], porque cada pessoa pode colocar o que quiser neles”, e destacou a importância de assistência às vítimas, afirmando “Precisamos ajudar as vítimas”.
O chefe de polícia Tim Frommeyer declarou que estavam lidando com “um dos maiores casos criminais da história do estado da Renânia do Norte-Vestfália” e que a magnitude do caso exige atenção e recursos policiais aumentados.
Até agora, mais de um mês após o crime, nenhuma prisão foi anunciada. A polícia solicita que eventuais testemunhas se apresentem e analisa imagens das câmeras de segurança externas e do estacionamento para identificar suspeitos e possíveis rotas de fuga.
Questões sem resposta e impacto social
O episódio provocou questionamentos sobre falhas nos protocolos de alarme e na resposta a sinais de emergência, e levantou dúvidas sobre conivência interna, pois os ladrões conseguiram agir sem serem detectados por longos períodos.
Além do prejuízo material, autoridades e afetados destacam o impacto psicológico, com perda de confiança em instituições e sensação de vulnerabilidade. Reul alertou que o dano emocional “não deve ser subestimado”.
O caso também ganhou contornos políticos, com manifestações e uso do episódio por alguns grupos, o que alimentou o debate público sobre segurança, responsabilidade de bancos e proteção de bens pessoais.
Enquanto as investigações prosseguem, o episódio permanece como exemplo de como um roubo multimilionário na Alemanha pode abalar clientes, instituições e a percepção coletiva sobre segurança financeira.