Rússia diz que monitora plano dos EUA para construir o Domo de Ouro na Groenlândia, US$ 175 bilhões para escudo antimísseis e impacto geopolítico no Ártico
Kremlin afirma que Forças Armadas acompanham o projeto americano de satélites e interceptadores, que prevê bases no Ártico, radares e defesa durante a fase de impulso
O Kremlin afirmou que as Forças Armadas russas estão acompanhando atentamente o plano dos Estados Unidos para implantar o chamado Domo de Ouro na Groenlândia, projeto que combina satélites de vigilância e de ataque com camadas terrestres de defesa.
O sistema é alvo de forte atenção em Moscou porque a Groenlândia está situada na rota mais curta entre a Rússia e o território continental dos EUA, o que dá à ilha papel estratégico na defesa antimísseis.
As informações sobre o projeto e as reações russas constam em reportagens recentes sobre o tema, conforme informação divulgada pelo g1.
O que é o Domo de Ouro
O Domo de Ouro é descrito como um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel, em desenvolvimento pelo Pentágono desde que o projeto foi anunciado pelo governo republicano em maio de 2025.
O projeto, anunciado pelo governo republicano em maio de 2025, é avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e, segundo apoiadores, busca proteger os EUA contra mísseis balísticos, hipersônicos e de cruzeiro.
Ao assumir a presidência em janeiro de 2025, Donald Trump assinou um decreto para acelerar a ideia, e declarou que pretende concluir o sistema até o final do mandato, em 2029.
Como o sistema funcionaria
O plano prevê uma arquitetura em quatro camadas, com uma camada baseada no espaço destinada ao alerta e rastreamento, e três camadas terrestres com interceptadores, radares e possivelmente lasers.
Entre os objetivos do projeto está neutralizar ameaças na chamada fase de impulso, o estágio inicial e previsível da trajetória de um míssil enquanto ainda sobe pela atmosfera.
O Domo de Ouro incluiria interceptadores de nova geração, lançadores capazes de disparar interceptadores atuais e futuros, e integração com sistemas já existentes, como o THAAD e o Patriot.
Por que a Groenlândia é vista como essencial
A Groenlândia é vista pelos EUA como uma localização estratégica no Ártico, entre os territórios americano e russo, e perto da chamada lacuna GIUK, corredor naval entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.
Os EUA já mantiveram uma presença militar significativa na ilha durante a Guerra Fria, reduzida hoje para menos de 200 militares, e agora Washington quer instalar radares em terra e no mar ao redor da ilha para fortalecer vigilância e interceptação.
O presidente americano chegou a afirmar que a ilha é “vital” para a construção do sistema, enquanto o governo americano também tem interesse nas reservas de petróleo, gás e minerais críticos da região.
Detalhes operacionais e próximos passos
Em agosto, o Pentágono apresentou o projeto a milhares de empreiteiros de Defesa, dizendo que ainda se encontra em estágio inicial e que busca informações para os próximos passos.
O plano prevê 11 baterias de curto alcance nos EUA continentais, Alasca e Havaí, além de bases de interceptação no sul da Califórnia, Alasca e uma nova no Centro-Oeste com interceptadores NGI, para compor a camada superior com o THAAD.
Analistas destacam que a implantação de sistemas baseados no espaço permitiria reação mais rápida, enquanto a presença na Groenlândia reduziria distâncias para alvos vindos do Ártico.
Do lado russo, a declaração do porta-voz do Kremlin ressalta que as Forças Armadas acompanham o projeto para avaliar seus objetivos e alcance, e que a movimentação americana na região terá implicações geopolíticas e militares no Ártico.
As negociações sobre presença, infraestrutura e soberania na Groenlândia devem ganhar maior atenção internacional à medida que o projeto do Domo de Ouro avança e impacta a dinâmica entre Estados Unidos, Dinamarca e Rússia.