quinta-feira, junho 4, 2026

Rússia monitora plano dos EUA para construir Domo de Ouro na Groenlândia, entenda custos, alcance e por que o Kremlin acompanha o projeto

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Kremlin afirma que Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto do Domo de Ouro, sistema antimísseis que os EUA querem implantar com bases e satélites na Groenlândia

O governo russo diz que monitora de perto o projeto americano para criar um sistema antimísseis apelidado de Domo de Ouro, que envolve satélites e defesas terrestres, e que teria impacto direto na segurança no Ártico.

O plano, apresentado por administradores do governo dos EUA em 2025, é orçado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e voltou a ser citado publicamente pelo presidente americano em janeiro de 2026.

Conforme informação divulgada pelo g1, o porta-voz do Kremlin afirmou que as Forças Armadas russas avaliam os objetivos e o alcance do sistema, em especial por causa da intenção de usar a Groenlândia como base estratégica.

O que é o Domo de Ouro

O Domo de Ouro é um programa do Pentágono inspirado no sistema israelense Domo de Ferro, concebido para detectar e neutralizar mísseis em várias fases do ataque. O projeto, em desenvolvimento desde 2025, busca combinar vigilância espacial, interceptadores terrestres e, possivelmente, lasers, para criar uma defesa em camadas.

Segundo as informações divulgadas à indústria de Defesa, a proposta inclui quatro camadas, sendo uma no espaço, para alerta e rastreamento, e três em terra, com baterias de curto alcance e interceptadores modernos, incluindo os NGI, de última geração.

Como o sistema funcionaria

O objetivo do Domo de Ouro é identificar e interromper ameaças em quatro momentos, detectar antes do lançamento quando possível, interceptar na fase inicial do voo, deter mísseis no meio do trajeto e neutralizar projéteis na fase terminal, enquanto descem em direção a alvos.

O projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço para reagir mais rapidamente, além de integrar sistemas existentes, como THAAD e Patriot, e novos radares e lançadores capazes de disparar interceptadores atuais e futuros.

Por que a Groenlândia é central para o plano

A Groenlândia é vista como local estratégico, por estar entre os EUA e a Rússia e por ser a rota mais curta para mísseis balísticos chegarem ao território continental americano. Por isso, o governo dos EUA considera a ilha “vital” para a construção do sistema, conforme declarou o presidente americano.

Os Estados Unidos já mantiveram até 10 mil militares na ilha durante a Guerra Fria, e hoje possuem menos de 200, o que torna a retomada de infraestrutura e a instalação de radares em terra e no mar um componente-chave do projeto.

Detalhes, custos e implicações geopolíticas

Conforme as informações do g1, o programa foi apresentado a empreiteiros em Huntsville, no Alabama, e tem custo estimado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão. A proposta inclui adicionar uma terceira base de lançamento no Centro-Oeste dos EUA, além das existentes na Califórnia e no Alasca, e implantar interceptadores NGI para a camada superior.

O Kremlin declarou que as Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto, avaliando seus objetivos e alcance, e as autoridades em Washington vêm intensificando a pressão diplomática sobre a Groenlândia, que é território autônomo da Dinamarca, por causa do acesso estratégico ao Ártico e às suas reservas de recursos.

Além das repercussões militares, o interesse pela ilha envolve recursos naturais, como petróleo, gás e minerais raros, importantes para tecnologias civis e de Defesa. A disputa em torno da presença americana na região tende a reforçar tensões entre EUA e Rússia, e a projetar maiores investimentos em vigilância e defesa no Ártico.

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