Kremlin diz que as Forças Armadas ‘acompanham atentamente’ o Domo de Ouro, esquema espacial e terrestre proposto pelos EUA, avaliam objetivos e alcance do sistema
O governo russo afirma que suas Forças Armadas acompanham de perto o plano americano de construir um amplo sistema antimísseis na Groenlândia, que poderia alterar o equilíbrio estratégico no Ártico.
O projeto, conhecido como Domo de Ouro, foi anunciado pelo governo republicano em maio de 2025 e voltou a ser citado pelo presidente americano em janeiro, enquanto Washington pressiona pela anexação da ilha.
Conforme informação divulgada pelo g1, a reação do Kremlin indica que Moscou avalia com atenção os objetivos e o alcance da iniciativa militar dos EUA.
O que é o Domo de Ouro
O Domo de Ouro é um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel e em desenvolvimento pelo Pentágono.
Segundo a reportagem, o projeto, anunciado pelo governo republicano em maio de 2025, é avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão.
O projeto foi apresentado como uma resposta a ameaças de mísseis balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, e o presidente americano estabeleceu metas para concluí-lo até o final do mandato em 2029.
Como o sistema funcionaria
O Domo de Ouro foi pensado para operar em quatro camadas, combinando capacidades espaciais e terrestres para detectar e neutralizar ameaças em diferentes fases.
Segundo os documentos divulgados pelo Pentágono, o Domo de Ouro incluirá quatro camadas, uma baseada em satélite e três em terra, com 11 baterias de curto alcance localizadas nos Estados Unidos continentais, Alasca e Havaí.
A camada espacial serviria para alerta e rastreamento, e as camadas terrestres envolveriam interceptadores, radares avançados e, possivelmente, lasers. Entre os elementos previstos estão interceptadores NGI, o sistema THAAD e novos lançadores capazes de disparar interceptadores atuais e futuros.
Por que a Groenlândia é estratégica
A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, tem posição geográfica entre os EUA e a Rússia, e por isso é apontada por Washington como essencial para abrigar parte das defesas do Domo de Ouro.
O presidente americano afirmou que a ilha, que é território autônomo da Dinamarca, é ‘vital’ para a construção do sistema.
Os EUA já possuem uma base militar na ilha, mas reduziram drasticamente sua presença no país. Eram cerca de 10 mil militares durante o auge da Guerra Fria; agora são menos de 200.
Além da proximidade à rota mais curta que mísseis russos usariam para atingir o território continental americano, a Groenlândia controla o corredor naval conhecido como lacuna GIUK, entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido, e pode abrigar radares e interceptadores terrestres e navais.
Impactos, custos e próximos passos
O custo estimado, e o caráter ambicioso do programa, alimentam preocupação de Moscou sobre um possível aumento da presença militar dos EUA no Ártico.
Em agosto, o Pentágono reuniu cerca de 3 mil empreiteiros para buscar informações e apoio técnico, e documentos mostram intenção de implantar interceptadores baseados no espaço para enfrentar a chamada fase de impulso dos mísseis.
O anúncio e as declarações públicas reacendem um debate sobre segurança regional, interesse por recursos naturais na Groenlândia e a corrida por capacidades tecnológicas de defesa no Ártico.
Conforme informação divulgada pelo g1, a reação russa e a pressão política americana sobre a ilha devem ser observadas nas próximas semanas, enquanto o projeto avança em planejamento e consultas no setor de Defesa.