Saks Global falência nos EUA, pedido de proteção judicial após fusão com Neiman Marcus, dívida bilionária e financiamento emergencial de US$ 1,75 bilhão
Saks Global falência: lojas seguem abertas, novo CEO substitui Richard Baker, financiamento imediato de US$ 1 bilhão e credores incluem Chanel, Kering e LVMH
A rede de lojas de alto padrão entrou com pedido de proteção contra falência na noite de terça-feira, em um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia.
A ação dá tempo para tentar reorganizar as contas, buscar um novo dono ou, se isso não ocorrer, enfrentar encerramento de operações.
Conforme informação divulgada pelo g1
O que motivou o pedido e a mudança na diretoria
A companhia pediu proteção judicial pouco mais de um ano após reunir as marcas Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus em uma nova estrutura, operação que foi financiada principalmente com dívidas.
Na manhã seguinte ao pedido, a empresa informou que as lojas permaneceriam abertas, depois de garantir um financiamento emergencial e anunciar mudanças na gestão.
Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, vai substituir Richard Baker, que conduziu a estratégia de compras que elevou o endividamento da empresa.
Valores, credores e estimativas oficiais
Nos documentos apresentados à Justiça, a empresa estimou que “seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões”, informação divulgada pela companhia em sua petição.
O novo acordo de financiamento prevê uma entrada imediata de US$ 1 bilhão por meio de um empréstimo, um financiamento adicional de US$ 240 milhões com garantias sobre ativos, e possibilidade de receber mais US$ 500 milhões após sair do processo de falência, totalizando US$ 1,75 bilhão em apoio comprometido.
Entre os credores listados estão grandes casas de luxo, com valores apontados pela empresa, como Chanel (US$ 136 milhões), Kering (US$ 60 milhões) e LVMH (US$ 26 milhões), e um total estimado de entre 10 mil e 25 mil credores.
Histórico da operação e problemas de caixa
Em 2024, Richard Baker liderou a compra da Neiman Marcus por meio da Hudson’s Bay Co, que controlava a Saks desde 2013, e depois separou ativos de luxo para criar a Saks Global.
O negócio de US$ 2,7 bilhões foi financiado com dívidas e aportes de empresas como Amazon, Salesforce e Authentic Brands, que passaram a ser acionistas da nova holding.
O aumento do endividamento ocorreu em momento de desaquecimento das vendas de luxo globalmente, e no ano passado a empresa enfrentou dificuldades para pagar fornecedores, que passaram a segurar estoques, resultando em prateleiras vazias e perda de clientes para concorrentes.
Com falta de caixa, a companhia vendeu o imóvel da loja Neiman Marcus em Beverly Hills e tentou negociar parte da loja Bergdorf Goodman, e “em 30 de dezembro, a companhia não conseguiu pagar mais de US$ 100 milhões em juros de seus títulos”, segundo os documentos.
Consequências para marcas, consumidores e perspectivas
A falência em andamento coloca em dúvida o futuro das operações físicas e das parcerias com marcas de luxo, muitas das quais também vendem diretamente ao consumidor e reduziram a dependência de lojas de departamento.
Analistas observam que, embora a demanda por luxo exista, “Os ricos ainda estão comprando”, e que a transferência desse gasto para concorrentes é um risco real para a recuperação da Saks Global, frase atribuída ao analista David Swartz.
O processo judicial dará tempo para reestruturação ou venda, mas caso não haja um acordo ou comprador, a consequência pode ser o fechamento de lojas, implicando perdas para fornecedores, marcas parceiras e empregados.