Saks Global falência nos EUA: varejista de luxo pede proteção judicial, obtém US$ 1,75 bilhão, troca de CEO e enfrenta dívidas entre US$ 1 bi e US$ 10 bi
Saks Global falência e reestruturação, com novo CEO Geoffroy van Raemdonck, financiamento imediato de US$ 1 bilhão e prazo para reorganizar contas ou buscar comprador
A rede que reúne Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus entrou com pedido de proteção contra falência nos EUA, em um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia.
A medida dá tempo para a empresa tentar reorganizar dívidas ou negociar a venda, enquanto mantém as lojas abertas por enquanto, após obter financiamento emergencial.
As informações têm origem em reportagem do g1, e trazem números e nomes centrais para entender o caso, conforme informação divulgada pelo g1
Pedido de falência e cenário imediato
O processo apresentado na terça-feira noite permite que a companhia ganhe fôlego para reestruturar dívidas ou encontrar um novo dono, caso contrário, a empresa pode ter que fechar.
Após o anúncio, a Saks informou que as lojas permaneceriam abertas e que conseguiu um financiamento de **US$ 1,75 bilhão**, além de nomear um novo diretor executivo.
Na prática, o pedido de proteção dá prazo e proteção legal enquanto os credores, investidores e a nova gestão definem os próximos passos.
Financiamento, números e credores
O novo acordo de financiamento prevê uma entrada imediata de **US$ 1 bilhão** por meio de um empréstimo de um grupo de investidores, com mais **US$ 240 milhões** disponíveis mediante garantias sobre ativos.
Depois de sair do processo de falência, a Saks Global poderá receber mais **US$ 500 milhões** do mesmo grupo de investidores.
Em documentos à Justiça, a empresa estimou que seus ativos e dívidas variam entre **US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões**.
Entre os credores listados estão grandes marcas, como **Chanel (US$ 136 milhões)**, **Kering, dona da Gucci (US$ 60 milhões)**, e **LVMH (US$ 26 milhões)**, e a companhia calcula ter entre **10 mil e 25 mil credores**.
Dívidas, vendas de ativos e impacto nas lojas
A estratégia de fusão dos ativos de luxo, conduzida por Richard Baker, terminou ampliando a dívida em um período de desaceleração nas vendas de luxo, segundo os documentos citados.
Sem caixa suficiente, a empresa já vendeu o imóvel da loja Neiman Marcus em Beverly Hills e tentou vender parte da Bergdorf Goodman para reduzir dívidas.
Em 30 de dezembro, a companhia não conseguiu pagar mais de **US$ 100 milhões** em juros de seus títulos, o que agravou a situação junto a fornecedores, que passaram a reter estoques e a deixar prateleiras vazias.
Gestão, mudanças e perspectivas
Como parte da reorganização, o ex-CEO da Neiman Marcus, **Geoffroy van Raemdonck**, foi nomeado para substituir Richard Baker, que liderou a estratégia de aquisições que elevou o endividamento.
A Saks também escolheu Darcy Penick e Lana Todorovich para cuidar da área comercial e das parcerias com marcas, respectivamente.
O negócio que criou a Saks Global foi de **US$ 2,7 bilhões**, em 2024, financiado principalmente com dívidas e com participação de empresas como Amazon, Salesforce e Authentic Brands, e agora a rede enfrenta o desafio de recuperar fornecedores, clientes e confiança do mercado.
Analistas apontam que a demanda por luxo segue presente, mas mudou de destino, e, nas palavras do analista David Swartz, da Morningstar, “Os ricos ainda estão comprando”, só que não tanto na Saks.