Saks Global falência: varejista de luxo dos EUA pede proteção judicial, consegue US$ 1,75 bilhão e muda comando executivo

Pedido de falência da Saks Global permite prazo para reestruturar dívidas, reúne credores como Chanel, Kering e LVMH, e mantém lojas abertas por enquanto

A rede de lojas de luxo entrou com pedido de proteção contra falência na noite de terça-feira, 13, em um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia.

A medida cria um período para que a empresa reorganize suas dívidas ou encontre um novo dono, caso contrário, pode ter de encerrar operações.

A companhia informou que as lojas permaneceriam abertas por enquanto, após obter um financiamento de US$ 1,75 bilhão e nomear novo CEO, conforme informação divulgada pelo g1

Pedido, liderança e a formação da nova rede

O processo envolve a nova estrutura criada em 2024, quando ativos de luxo foram reunidos para formar a atual operação, que inclui as marcas Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus.

Na reestruturação de comando, Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, foi anunciado para substituir Richard Baker. A empresa também nomeou Darcy Penick para a área comercial e Lana Todorovich para parcerias com marcas.

O negócio de US$ 2,7 bilhões que reorganizou os ativos foi financiado principalmente com dívidas e aportes de empresas como Amazon, Salesforce e Authentic Brands, segundo documentos citados pela reportagem.

Financiamento emergencial e números do processo

O novo acordo prevê uma entrada imediata de US$ 1 bilhão por meio de um empréstimo de um grupo de investidores, com um financiamento adicional de US$ 240 milhões garantido sobre ativos da empresa.

Além disso, a Saks Global poderá receber mais US$ 500 milhões do mesmo grupo após sair do processo de falência. Em seus documentos à Justiça, a companhia estimou que seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões.

A empresa pediu um adiamento de 45 dias para entregar suas demonstrações financeiras, até 13 de março de 2026. Entre os credores listados estão marcas como Chanel (US$ 136 milhões), Kering (US$ 60 milhões) e LVMH (US$ 26 milhões). No total, a companhia estima ter entre 10 mil e 25 mil credores.

Dívidas, estoques e desafios do varejo de luxo

Depois do acordo que reuniu as redes, a alta alavancagem deixou a empresa vulnerável a uma desaceleração nas vendas de luxo. No ano passado, a Saks teve dificuldade para pagar fornecedores, que passaram a segurar estoques, e prateleiras vazias afastaram clientes.

Sem caixa, a companhia vendeu o imóvel da Neiman Marcus em Beverly Hills e tentou negociar parte da Bergdorf Goodman para reduzir dívidas. Em 30 de dezembro, a empresa não conseguiu pagar mais de US$ 100 milhões em juros de seus títulos.

Analistas apontam que a demanda por produtos de luxo persiste, mas migrou para outros pontos de venda. Como disse o analista da Morningstar, David Swartz, “Os ricos ainda estão comprando”, só que não tanto na Saks, segundo a reportagem.

Próximos passos e riscos para as lojas

Com o processo de falência em andamento, a empresa terá tempo para negociar com credores, ajustar operações e buscar um comprador, ou apresentar um plano de reorganização.

Se não houver acordo ou capital suficiente, a alternativa pode ser o fechamento das lojas. Por ora, a varejista manteve as unidades abertas enquanto o caso segue nos tribunais e as negociações com investidores continuam.