Saks Global pede falência nos EUA, obtém financiamento de US$ 1,75 bi e troca de CEO enquanto reorganiza dívidas entre US$ 1 bi e US$ 10 bi

Enquanto busca reorganizar a dívida e evitar fechamentos, a Saks Global anunciou financiamento imediato, opções de crédito e mudanças na direção executiva para tentar manter lojas abertas

A Saks Global entrou com pedido de proteção contra falência nos Estados Unidos, um dos maiores colapsos do varejo desde a pandemia.

A medida dá tempo para a empresa tentar reorganizar as contas, buscar um novo dono ou negociar com credores, com risco de fechamento se não houver solução.

Ao mesmo tempo, a companhia conseguiu um pacote de financiamento e mudou o comando executivo na tentativa de recuperar confiança no mercado.

conforme informação divulgada pelo g1

O pedido de falência e o pacote de financiamento

A companhia, que reúne as redes Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, pediu proteção contra falência na noite de terça-feira, 13.

Segundo os documentos apresentados à Justiça, a empresa estimou que seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões.

Imediatamente após o pedido, a Saks Global anunciou um financiamento total de US$ 1,75 bilhão, composto por uma entrada imediata de US$ 1 bilhão via empréstimo, um crédito adicional de US$ 240 milhões com garantias sobre ativos, e a possibilidade de receber mais US$ 500 milhões depois de sair do processo de falência.

A empresa também pediu à Justiça um adiamento de 45 dias para entregar suas demonstrações financeiras, até 13 de março de 2026.

Mudança na gestão e sinal às marcas

Houve troca no comando, com Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, assumindo no lugar de Richard Baker, que liderou as compras que resultaram em alta alavancagem.

A Saks Global nomeou ainda Darcy Penick para a área comercial e Lana Todorovich para parcerias de marca, movimentos que visam estabilizar operações e relações com fornecedores e grifes.

Credores, fornecedores e os números que pesam

Entre os credores listados estão grandes marcas de luxo, com valores específicos informados, como Chanel (US$ 136 milhões), Kering, dona da Gucci (US$ 60 milhões), e LVMH (US$ 26 milhões).

A empresa calcula ter entre 10 mil e 25 mil credores, e no fim do ano passado enfrentou falta de caixa para cumprir obrigações, com a informação de que a companhia não conseguiu pagar mais de US$ 100 milhões em juros de seus títulos, em 30 de dezembro.

Sem estoque em algumas lojas, fornecedores passaram a segurar mercadorias, o que deixou prateleiras vazias e levou clientes a migrar para concorrentes.

O que motivou a crise e o impacto no varejo de luxo

A Saks Global nasceu de uma transação que separou ativos de luxo nos Estados Unidos, após a compra da Neiman Marcus pela Hudson’s Bay Co, controladora da Saks desde 2013.

O negócio de US$ 2,7 bilhões, financiado com dívida e investimentos de empresas como Amazon, Salesforce e Authentic Brands, aumentou fortemente a alavancagem em um momento de desaceleração das vendas de luxo.

A combinação de dívidas elevadas, concorrência de vendas online e marcas vendendo diretamente reduziu a vantagem competitiva das lojas físicas, e a Saks enfrentou dificuldades para manter estoques e clientes.

Para tentar reduzir o endividamento, a companhia vendeu o imóvel da loja Neiman Marcus em Beverly Hills e buscou vender parte da Bergdorf Goodman.

O que muda para clientes e marcas

Por ora, a empresa informou que as lojas permaneceriam abertas, apoiada pelo novo financiamento e pela reorganização do time executivo.

Na prática, o processo de falência abre espaço para renegociação com credores e chance de venda parcial ou total, mas também traz incerteza para clientes, marcas parceiras e fornecedores.

Analistas apontam que consumidores de alta renda continuam comprando, mas não necessariamente nas mesmas lojas, o que exige ajustes rápidos da Saks Global para reconquistar a clientela.

O desfecho dependerá das negociações, do sucesso em restaurar estoques e da capacidade de converter o financiamento em operação sustentável, com atenção às obrigações com grandes credores e às marcas que fornecem produtos às lojas.