Saks Global pede falência nos EUA, obtém US$ 1,75 bilhão em financiamento imediato e troca de CEO, futuro de Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus em dúvida

Saks Global entra com pedido que dá tempo para reorganizar dívidas ou encontrar comprador, com aporte imediato e nomeações para tentar estabilizar operações

A rede de lojas de luxo Saks Global apresentou pedido de proteção contra falência nos EUA, movimento que abre a possibilidade de reestruturação de dívidas ou venda de ativos.

A empresa obteve um financiamento imediato e anunciou mudanças na direção, medidas vistas como tentativa de ganhar fôlego enquanto busca opções estratégicas.

O pedido não significa fechamento imediato das lojas, que seguirão abertas por enquanto, mas coloca o futuro de marcas históricas sob forte pressão.

Conforme informação divulgada pelo g1

Pedido de falência e detalhes do financiamento

O pedido judicial apresentado na noite de terça-feira, 13, dá à Saks Global tempo para reorganizar suas contas ou procurar um novo dono. Segundo a Reuters, citada pelo g1, a empresa conseguiu inicialmente um aporte de US$ 1,75 bilhão em financiamento, com um empréstimo de entrada de US$ 1 bilhão fornecido por um grupo de investidores.

Além disso, há um financiamento adicional de US$ 240 milhões com garantias sobre ativos, e a possibilidade de mais US$ 500 milhões após a saída do processo de falência, conforme os documentos apresentados à Justiça.

Nos papéis judiciais a companhia estimou que seus ativos e dívidas variam entre US$ 1 bilhão e US$ 10 bilhões, o que demonstra a escala do processo de reestruturação em curso.

Mudanças na liderança e operação das lojas

Como parte das mudanças, Geoffroy van Raemdonck, ex-CEO da Neiman Marcus, foi nomeado para substituir Richard Baker, apontado como responsável pela estratégia de aquisições que elevou o endividamento.

A Saks Global também escolheu Darcy Penick e Lana Todorovich, ambos ex-executivos da Neiman Marcus, para comandar, respectivamente, a área comercial e as parcerias com marcas, numa tentativa de manter a operação das bandeiras como Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus.

A empresa informou que as lojas permaneceriam abertas por enquanto, com o objetivo de evitar uma queda abrupta nas vendas e preservar o valor dos pontos de venda enquanto o processo segue.

Dívidas, credores e pontos de pressão

O negócio que formou a Saks Global envolveu a separação dos ativos de luxo e a compra da Neiman Marcus em um acordo de US$ 2,7 bilhões, operação que foi financiada majoritariamente por dívida e por investidores como Amazon, Salesforce e Authentic Brands.

Entre os credores listados estão grandes maisons, com valores divulgados como Chanel, US$ 136 milhões, Kering, dona da Gucci, US$ 60 milhões, e LVMH, US$ 26 milhões. No total, a empresa calcula ter entre 10 mil e 25 mil credores.

Em dezembro a companhia não conseguiu pagar mais de US$ 100 milhões em juros de seus títulos, e, sem caixa, chegou a vender imóveis e ativos, como o prédio da Neiman Marcus em Beverly Hills, e tentou negociações sobre parte da Bergdorf Goodman para reduzir o endividamento.

Contexto do varejo de luxo e riscos à retomada

A Saks Global enfrenta um cenário em que as vendas de luxo desaceleraram globalmente, ao mesmo tempo em que a concorrência online e a venda direta das marcas reduziram margens e tráfego nas lojas tradicionais.

Analistas apontam que a clientela de alto padrão continua consumindo, mas nem sempre na Saks, o que ajudou concorrentes como a Bloomingdale’s a registrar resultados melhores em 2025. Como disse o analista da Morningstar, David Swartz, “Os ricos ainda estão comprando”, só que não tanto na Saks.

O processo judicial dá prazo para a empresa tentar se reorganizar, a Justiça concedeu, segundo a companhia, um adiamento de 45 dias para entrega de suas demonstrações financeiras, até 13 de março de 2026, enquanto investidores e credores avaliam possibilidades, que vão de reestruturação a uma eventual venda ou fechamento.

O que vem a seguir

Nos próximos meses a atenção estará nas negociações com credores e no uso do financiamento disponível para manter operações e estoques, já que fornecedores vinham segurando entregas diante de pagamentos em atraso.

A trajetória da Saks Global nos próximos passos do processo de falência será determinante para o futuro das icônicas Saks Fifth Avenue, Bergdorf Goodman e Neiman Marcus, e para o setor de luxo nas lojas físicas nos EUA.