Salário mínimo de R$ 1.621 passa a vigorar em 1º de janeiro, reajuste de 6,79% foi definido pelo INPC de 4,18% mais 2,5% de ganho real, veja quem recebe e o impacto fiscal
O novo piso nacional, de R$ 1.621, começa a valer nesta quinta-feira, 1º, com aumento de 6,79% sobre o valor anterior. A correção já vale para salários e benefícios de janeiro, que serão pagos no início de fevereiro.
O cálculo combina a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, de 4,18%, com um ganho real limitado em lei a 2,5%, seguindo o arcabouço fiscal do governo.
No conjunto, a mudança afeta pessoas que recebem o mínimo ou benefícios atrelados a ele, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada, e tem efeitos nas contas públicas.
conforme informação divulgada pelo g1
Como o valor foi calculado
A metodologia considera o INPC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que fechou em 4,18% nos 12 meses até novembro. Pela regra aprovada em 2023, o piso também poderia incorporar crescimento real do PIB de 2024, estimado em 3,4%, o que teria elevado o mínimo para R$ 1.636.
Em dezembro, porém, foi aprovada uma lei que limita o aumento real do salário mínimo a 2,5%. Aplicando INPC de 4,18% mais 2,5% de ganho real, o governo definiu o novo piso em R$ 1.621, abaixo do valor previsto no Orçamento de 2026 de R$ 1.631 e da estimativa do próprio governo, de R$ 1.627.
Quem é afetado e quando recebe
O reajuste vale para trabalhadores formais que recebem o mínimo ou múltiplos dele, e para benefícios atrelados ao piso, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o seguro-desemprego. Quem recebe esses benefícios já terá o valor atualizado nos pagamentos de janeiro, feitos no início de fevereiro.
Segundo nota técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas, e a entidade estima que o mínimo necessário para uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18 em novembro.
Impacto nas contas públicas
O reajuste eleva despesas obrigatórias, porque benefícios previdenciários e programas como o abono salarial não podem ser menores que o piso. De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões.
Assim, o acréscimo de R$ 103 no piso corresponde a um aumento próximo de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias. Esse aumento reduz a folga para despesas discricionárias do governo, que financiam políticas públicas fora dos gastos fixos.
Contexto e comparações
A Constituição determina que o salário mínimo seja corrigido para preservar o poder de compra, e a discussão sobre vinculação de benefícios ao piso reaparece nos debates sobre ajuste fiscal. Em governos anteriores, o reajuste seguiu apenas a inflação, sem ganho real, enquanto a política atual busca uma recuperação do poder aquisitivo limitada pelo teto de 2,5%.
O novo piso ficou menor que algumas estimativas, porque a inflação medida pelo INPC ficou abaixo do esperado. Para quem ganha múltiplos do mínimo, o reajuste aumenta a renda nominal, mas o efeito real depende da inflação futura e do custo de vida nas diferentes regiões do país.