O novo salário mínimo de R$ 1.621 passa a vigorar em 1º de janeiro, combina inflação medida pelo INPC e ganho real limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal, e terá efeito nos pagamentos de fevereiro
O piso nacional foi reajustado para R$ 1.621, com aumento de 6,79% sobre o valor anterior de R$ 1.518, e começa a valer no primeiro dia do ano, influenciando salários e benefícios.
Quem recebe o mínimo, ou benefícios vinculados a ele, verá o novo valor refletido nos pagamentos de janeiro, que serão pagos no início de fevereiro, e o ajuste precisa ser oficializado por decreto presidencial.
O aumento resulta da combinação entre a inflação medida pelo INPC e um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal, conforme informação divulgada pelo g1.
Como foi calculado o novo valor
O reajuste obedece à regra que inclui a inflação medida pelo INPC nos 12 meses até novembro e um aumento real com base no crescimento do PIB, limitado por lei ao teto de 2,5%.
A inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro foi de 4,18%, e a previsão do PIB de 2024 era de 3,4%, mas a alta real foi limitada a 2,5%, resultando no total aplicado que levou ao piso de R$ 1.621.
Se fosse aplicado apenas o critério constitucional de repor a inflação, o salário subiria para cerca de R$ 1.582, entretanto, a soma entre INPC e o ganho real limitado explicou o patamar final.
Quem será afetado e o alcance do reajuste
O aumento impacta trabalhadores que recebem pelo menos um salário mínimo, aposentadorias e benefícios como o BPC e seguro-desemprego, todos vinculados ao piso nacional.
De acordo com nota técnica divulgada em janeiro deste ano pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil, o que mostra a dimensão do efeito direto do reajuste.
Impacto nas contas públicas
O reajuste também eleva despesas obrigatórias do governo, porque benefícios previdenciários e abonos não podem ficar abaixo do novo piso, o que reduz espaço no Orçamento para gastos discricionários.
O cálculo ficou, ainda, abaixo do previsto no Orçamento de 2026 (R$ 1.631) e menor do que a estimativa do governo do fim de novembro (R$ 1.627), entre outros motivos pela inflação ter sido menor do que o esperado.
De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões. Um aumento de R$ 103 ao salário mínimo no próximo ano, portanto, corresponde a um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.
O que muda no dia a dia e próximos passos
Na prática, quem recebe o piso ou benefícios atrelados já verá o efeito financeiro no pagamento do início de fevereiro, e a atualização deverá ser formalizada por meio de decreto presidencial.
Especialistas ressaltam que a política de valorização do salário mínimo, com aumento real, amplia o poder de compra de trabalhadores, mas também pressiona contas públicas, exigindo escolhas sobre prioridades do gasto público.