quinta-feira, junho 4, 2026

Salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, entenda o reajuste de 6,79%, como foi calculado pelo INPC e o impacto de R$ 43,2 bilhões nas contas públicas

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O salário mínimo de R$ 1.621 passa a vigorar, afetando 59,9 milhões de pessoas e refletindo INPC de 4,18% mais ganho real limitado a 2,5%

O novo piso nacional entra em vigor nesta quinta-feira e valerá para salários, aposentadorias e benefícios que têm vínculo ao mínimo, com pagamento já reajustado no início de fevereiro.

O aumento foi de 6,79% sobre o valor anterior, e foi definido combinando inflação e um ganho real limitado pela regra fiscal aprovada no fim do ano passado.

As informações sobre o valor e o cálculo foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.

Como foi feito o cálculo do reajuste

O governo usou a variação do INPC em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, como base mínima de correção do poder de compra, mais um ganho real limitado a 2,5% por causa do arcabouço fiscal.

Se fosse aplicada apenas a correção pela inflação, o piso subiria dos atuais R$ 1.518 para cerca de R$ 1.582. Pela regra inicial aprovada em 2023, que faria o salário incorporar também o crescimento do PIB de 2024, de 3,4%, o valor teria avançado para R$ 1.636.

Com o limite real de 2,5%, a soma da inflação de 4,18% com esse ganho real eleva o piso para R$ 1.621 em 2026.

Quem é afetado pelo novo piso

O salário mínimo serve de referência para trabalhadores que recebem o piso ou múltiplos dele, e para benefícios como seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada, além das aposentadorias.

Segundo nota técnica do Dieese, o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas. Ainda de acordo com o Dieese, o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro.

Impacto nas contas públicas

Ao subir o piso, aumentam automaticamente despesas obrigatórias, porque benefícios atrelados não podem ficar abaixo do mínimo. De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões.

Na prática, o reajuste de R$ 103 sobre o piso atual corresponde a um aumento de gasto estimado em cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias, o que reduz a margem do orçamento para gastos discricionários do governo.

Contexto e comparações

O valor final ficou abaixo do previsto no Orçamento de 2026, de R$ 1.631, e também menor que a estimativa do governo do fim de novembro, de R$ 1.627, porque a inflação medida pelo INPC ficou abaixo do esperado.

Historicamente, a Constituição determina que o salário mínimo seja reajustado ao menos pela inflação, para preservar o poder de compra. Em períodos recentes, a política de valorização voltou a incluir ganho real, mas esse aumento real foi limitado pela nova regra fiscal.

O efeito prático para quem recebe o piso será um alívio no poder de compra em relação a 2025, porém especialistas apontam que o aumento das despesas obrigatórias pode pressionar outras áreas do orçamento público.

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