Novo piso de R$ 1.621 passa a valer em 1º de janeiro de 2026, reajuste de 6,79% baseado no INPC de 4,18% e ganho real limitado a 2,5%, veja o que muda
O novo valor do salário mínimo nacional, de R$ 1.621, começa a valer a partir de quinta-feira, 1º de janeiro de 2026.
O reajuste representou aumento de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e combina a inflação medida pelo INPC com um ganho real limitado pela regra do arcabouço fiscal.
Quem recebe salário mínimo, múltiplos dele ou benefícios vinculados ao piso, como seguro-desemprego e BPC, já verá o valor reajustado nos pagamentos de início de fevereiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o governo chegou a R$ 1.621
O cálculo do novo piso considerou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o INPC, em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%.
Se o reajuste seguisse apenas a correção pela inflação, o piso passaria dos R$ 1.518 para um valor em torno de R$ 1.582.
Em 2023, o governo havia previsto uma política de valorização que somaria ao INPC o crescimento real do Produto Interno Bruto dos dois anos anteriores, o que elevaria o mínimo a cerca de R$ 1.636 considerando o PIB esperado de 3,4% para 2024.
No entanto, uma regra aprovada em dezembro limitou o ganho real acima da inflação a 2,5%, o teto do arcabouço fiscal. Aplicando 4,18% de INPC mais 2,5% de ganho real, o salário mínimo ficou em R$ 1.621 para 2026.
O que a Constituição diz e como isso funciona na prática
Segundo a Constituição, trabalhadores urbanos e rurais têm direito a um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim“.
Na prática, o piso serve como referência para salários, benefícios e aposentadorias, e seu aumento garante correção do poder de compra quando acompanhando a inflação.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese, estimou que o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18 em novembro, ou 4,66 vezes o piso mínimo nacional de R$ 1.518, segundo nota técnica divulgada pelo órgão.
Quem é afetado pelo reajuste
O piso impacta diretamente trabalhadores formais que recebem o mínimo ou múltiplos dele, e também benefícios que têm o valor do mínimo como referência.
Entre os afetados estão aposentadorias, o Benefício de Prestação Continuada, o BPC, o abono salarial e o seguro-desemprego.
O Dieese indicou que o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil, considerando vínculos diretos e beneficiários.
Impacto nas contas públicas e no orçamento
Elevar o salário mínimo amplia despesas obrigatórias do governo, pois benefícios previdenciários e outros pagamentos não podem ficar abaixo do piso legal.
Segundo cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera despesa adicional em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões.
Assim, um aumento de R$ 103 no piso corresponde, na estimativa governamental, a um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.
Esse aumento de gasto reduz a margem para despesas discricionárias, ou seja, recursos que o governo pode alocar livremente, e pode afetar programas e investimentos federais.
O que muda no bolso do trabalhador e na economia
Para quem recebe o mínimo, o reajuste eleva o ganho nominal, e, se mantiver a correlação com preços, ajuda a preservar o poder de compra em relação ao ano anterior.
Por outro lado, o aumento do piso tende a elevar o salário médio do país, o que tem efeitos indiretos na economia, e pode pressionar custos para empresas, sobretudo micro e pequenas empresas.
Especialistas defendem, por vezes, a desvinculação de benefícios previdenciários do salário mínimo para controlar o crescimento das despesas, enquanto outros ressaltam a importância do piso para a proteção social.
O novo valor, portanto, representa um equilíbrio entre correção pela inflação e a limitação imposta pelo arcabouço fiscal, com efeitos que serão observados em pagamentos e nas contas públicas ao longo de 2026.