Salário mínimo começa a valer nesta quinta, reajuste de 6,79% sobre R$ 1.518 entra em vigor, correção considerou INPC de 4,18% e ganho real limitado a 2,5%
O novo piso nacional passa a vigorar a partir desta quinta-feira, e o pagamento já refletirá o reajuste nos salários e benefícios de janeiro, pagos no início de fevereiro.
O aumento resultou em um percentual de 6,79% sobre o valor anterior de R$ 1.518, chegando ao novo patamar definido pelo governo.
No decorrer da reportagem você vai ver como esse número foi calculado, quem é impactado e quais são as implicações para as contas públicas.
conforme informação divulgada pelo g1
Como o novo valor foi calculado
O cálculo do salário mínimo de 2026 combinou a inflação e um ganho real limitado pela regra fiscal. A inflação considerada foi o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%.
Se fosse aplicado apenas o INPC, o piso iria para cerca de R$ 1.582. Em 2023, uma regra passou a prever também um acréscimo baseado no crescimento do PIB dos dois anos anteriores.
Com base nessa regra, usando um PIB de 2024 estimado em 3,4%, o salário teria subido para R$ 1.636, porém uma lei aprovada em dezembro limitou o ganho real a 2,5%, que é o teto do arcabouço fiscal.
Ao aplicar 4,18% de inflação mais 2,5% de alta real, o governo fixou o piso em R$ 1.621 para 2026.
Quem recebe e quando o aumento entra na folha
Recebem o novo valor os trabalhadores que têm remuneração igual ao piso, quem recebe múltiplos do mínimo e beneficiários vinculados ao salário mínimo, como o seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Os pagamentos relativos a janeiro já serão feitos, no começo de fevereiro, com o novo valor reajustado. Assim, milhões de benefícios e aposentadorias acompanham o piso automaticamente.
Além dos benefícios diretamente indexados, o aumento tende a influenciar o salário médio e o poder de compra de parcela significativa da população.
Referência social e números do Dieese
O salário mínimo serve de referência para um grande contingente de pessoas. De acordo com nota técnica divulgada em janeiro deste ano pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o piso é referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil.
Para o Dieese, o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro, o que equivale a 4,66 vezes o piso mínimo nacional de R$ 1.518.
Impacto nas contas públicas e no Orçamento
Ao elevar o piso, o governo aumenta automaticamente despesas obrigatórias, porque benefícios previdenciários e programas como o abono salarial e seguro-desemprego não podem ficar abaixo do mínimo.
Segundo cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões. Assim, o aumento de R$ 103 no piso corresponde a um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.
Esse aumento de gastos reduz espaço para despesas discricionárias, que financiam políticas públicas da administração federal, e por isso há debate sobre os limites dessa indexação.
Comparação com previsões e cenário político
O novo valor ficou abaixo do previsto no Orçamento de 2026, que apontava R$ 1.631, e também menor que a estimativa do governo no fim de novembro, de R$ 1.627. A explicação foi a inflação menor que a esperada.
Economistas e formuladores de política avaliam alternativas, como desvincular benefícios previdenciários do piso, para reduzir pressão sobre gastos obrigatórios e limitar o aumento da dívida e dos juros.
Para quem busca entender as mudanças, o essencial é acompanhar pagamentos de fevereiro e a repercussão desse reajuste no Orçamento e em programas sociais.