Salário mínimo sobe para R$ 1.621 em 2026, saiba o que muda: cálculo, impacto no BPC e nas contas públicas
Reajuste de 6,79% passa a valer, saiba quem recebe o novo piso, como o INPC e a regra do arcabouço fiscal definiram o percentual e quando os pagamentos mudam
O novo piso nacional do trabalho entra em vigor nesta quinta, e vários benefícios vinculados ao mínimo terão seus valores atualizados no início de fevereiro.
O reajuste combina a correção pela inflação e um ganho real limitado pela regra fiscal, afetando salários, aposentadorias e programas como o BPC e o seguro-desemprego.
As informações a seguir explicam como o valor foi calculado, quem será impactado e qual o efeito sobre as contas públicas, conforme informação divulgada pelo g1.
Como funciona o salário mínimo
O salário mínimo é a menor remuneração permitida por lei para trabalhadores formais, e serve também de referência para benefícios e aposentadorias.
A Constituição prevê que o piso seja capaz de atender necessidades básicas da família e que tenha reajustes que preservem o poder aquisitivo, com correção ao menos pela inflação.
Para o Dieese, o salário mínimo mensal necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro deste ano, ou 4,66 vezes o piso mínimo nacional de R$ 1.518.
Como foi calculado o novo valor
O governo aplicou a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro, que foi de 4,18%, e acrescentou um ganho real limitado pelo arcabouço fiscal.
O reajuste final equivale a 6,79% sobre o piso anterior de R$ 1.518, resultando no novo mínimo nacional de R$ 1.621, valor que passa a valer a partir desta quinta-feira.
A regra original, aprovada em 2023, considerava também o crescimento real do PIB dos dois anos anteriores, o que teria elevado o piso para R$ 1.636 com base no PIB projetado para 2024, de 3,4%.
Entretanto, a limitação do aumento real a 2,5% pelo arcabouço fiscal fez o ganho real ficar abaixo da estimativa inicial, levando ao valor final de R$ 1.621.
Quem será afetado e quando o reajuste vale
Recebem imediatamente o novo valor os trabalhadores que têm remuneração igual ao piso, e também os benefícios vinculados ao mínimo, como o Benefício de Prestação Continuada, o seguro-desemprego e o abono salarial.
Segundo nota técnica citada pelo g1, o salário mínimo serve de referência para 59,9 milhões de pessoas no Brasil, entre trabalhadores formais, aposentados e beneficiários vinculados ao piso.
Os salários e benefícios de janeiro, que sofreram o reajuste, serão pagos no início de fevereiro com o novo valor já incorporado.
Impacto nas contas públicas
O aumento do piso eleva automaticamente despesas obrigatórias do governo, porque benefícios não podem ficar abaixo do valor do mínimo.
De acordo com cálculos do governo, a cada R$ 1 de aumento do salário mínimo cria-se uma despesa em 2026 de aproximadamente R$ 420 milhões.
Assim, Um aumento de R$ 103 ao salário mínimo no próximo ano, portanto, corresponde a um crescimento de cerca de R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias, segundo a estimativa oficial.
O efeito é reduzir recursos disponíveis para gastos discricionários, o que pode limitar investimentos e políticas públicas que dependem desses recursos.
Para setores que defendem ajuste apenas pela inflação, a preocupação é com o aumento do gasto previdenciário e com a necessidade de controlar a dívida pública e os juros.