Salas da fúria, por que destruir objetos virou prática para aliviar estresse, raiva e ansiedade e por que tantas mulheres procuram esse refúgio
Como funcionam as salas da fúria, quem frequenta, o que dizem participantes e especialistas, e se a sessão oferece alívio real para a mente e o corpo
Em espaços protegidos, pessoas pagam para quebrar televisores, móveis e louças, usando capacete e equipamentos, com objetivo declarado de liberar tensão e raiva.
Muitas frequentadoras relatam sensação de alívio, calma e uma espécie de reset físico e mental após a sessão, mesmo sem estarem tomadas pela fúria no momento.
As informações desta reportagem foram obtidas conforme informação divulgada pelo g1.
O que são as salas da fúria e de onde vieram
As chamadas salas da fúria são locais comerciais onde clientes podem, sob supervisão, destruir objetos descartados, como eletrodomésticos e móveis, usando tacos, martelos ou até um carro para amassar.
O conceito é atribuído a ideias surgidas no Japão no final dos anos 2000, e também há relatos de iniciativas similares nos Estados Unidos, como a criada por Donna Alexander, em uma garagem no Texas.
Como participantes descrevem a experiência
Muitas pessoas procuram as salas por curiosidade, alivio do estresse ou por experiências emocionais difíceis. Deena, por exemplo, disse que não teve uma explosão emocional na primeira visita, ela ficou “surpreendentemente controlada e muito mais consciente“, e sentiu a sessão como “uma liberação física”.
Outra frequentadora, Shuka Piryaee, relatou que esmagar um carro ao som de suas músicas favoritas foi “uma satisfação muito maior do que eu esperava”, e descreveu a prática como “estranhamente libertadora”.
Por que muitas mulheres procuram essas salas
Proprietárias e terapeutas ouvidas pela reportagem apontam que grande parte dos clientes são mulheres, que muitas vezes sentem pressão para reprimir frustração e raiva no dia a dia, por papéis familiares e profissionais.
A fundadora de uma sala em East Sussex, Kate Cutler, diz que o local tem ficado cada vez mais concorrido entre suas clientes, e que mulheres procuram o espaço por motivos variados, desde rompimentos até um sentimento de raiva que surge sem explicação.
O que dizem psicoterapeutas e especialistas
A autora e psicoterapeuta Jennifer Cox afirmou que as mulheres são “condicionadas” a reprimir emoções como frustração e raiva, e que ambientes seguros para extravasar podem ser úteis, inclusive com alternativas caseiras, como empilhar almofadas para bater, segundo ela.
Outra terapeuta, Shelly Dar, defende que essas salas podem oferecer “alívio instantâneo“, e que sentir raiva é saudável, sendo o problema a falta de espaços seguros para expressá-la sem julgamento.
Riscos, cuidados e alternativas
Embora muitas relatos sejam positivos, especialistas lembram que a sensação de alívio pode ser temporária se não houver trabalho emocional complementar, e que segurança física e regras claras nos locais são essenciais.
Para quem quer experimentar sem sair de casa, terapeutas sugerem criar pequenas rotinas de liberação, como bater em almofadas, exercícios físicos intensos ou práticas orientadas por profissionais de saúde mental.
As salas da fúria aparecem, assim, como uma opção prática para aliviar tensão acumulada, especialmente entre mulheres que dizem ter pouco espaço social para expressar raiva, ainda que não substituam acompanhamento psicológico quando necessário.