Salas da fúria: por que mulheres pagam para destruir TVs e móveis em espaços de alívio do estresse, como funcionam as sessões e o que dizem frequentadoras e especialistas
Em espaços equipados, pessoas pagam para destruir objetos como TVs e móveis, buscando reduzir tensão física e mental; frequentadoras e terapeutas explicam por que as salas da fúria têm atraído mais mulheres
Em várias cidades, surgiu uma oferta pouco convencional para aliviar o estresse, locais onde clientes quebram objetos com tacos e martelos, usando proteção e orientação.
Para muitas frequentadoras, a experiência é menos explosiva e mais libertadora, uma pausa física que ajuda a resetar o corpo e a mente.
Neste texto, explicamos como funcionam as salas da fúria, por que há um público majoritariamente feminino e o que dizem terapeutas e participantes que já passaram pela experiência.
Conforme informação divulgada pelo g1.
O que são e como funcionam as salas da fúria
As salas da fúria são espaços onde clientes pagam para destruir objetos descartados, como televisores, móveis e louças, protegidos por equipamentos de segurança.
O conceito ganhou força no final dos anos 2000, possivelmente no Japão, e também foi adotado por empreendedores em outros países, segundo relatos publicados pelo g1.
Na prática, o local fornece itens para quebrar, ferramentas como tacos de baseball e martelos, e EPIs, além de orientação para evitar ferimentos e garantir reutilização ou descarte responsável dos resíduos.
Relatos de quem foi, como a experiência costuma ser vivida
Várias frequentadoras relatam surpresa com a forma como a sessão se desenrola, com sentimento de controle e alívio.
Deena disse que, em sua primeira visita, não teve uma explosão de emoção, mas sim que ficou “surpreendentemente controlada e muito mais consciente”, e que “vivenciei a experiência mais como uma liberação física do que como uma explosão emocional”.
Shuka Piryaee descreveu a experiência como “uma forma divertida e ridícula de reset”, e afirmou que “foi uma satisfação muito maior do que eu esperava”. Ela também disse, sobre o ato de destruir objetos, que “senti algo estranho e libertador ao destroçar coisas sem precisar tomar cuidado. Depois, percebi que havia feito um exercício para meu corpo e minha mente”.
Proprietárias de espaços relatam aumento da procura, muitas vezes por mulheres que buscam uma alternativa para lidar com frustrações, rompimentos ou estresse acumulado.
Por que tantas mulheres procuram as salas, segundo terapeutas
Especialistas ouvidas pelo g1 destacam que mulheres podem ser socialmente condicionadas a reprimir raiva e agressão, o que torna espaços seguros para expressão emocional mais necessários.
A autora e psicoterapeuta Jennifer Cox afirmou que as mulheres são “condicionadas” a reprimir sentimentos de “frustração, ira, agressão e raiva”. Ela também alertou que, “Quando reprimimos a raiva, ela se manifesta no nosso corpo de diversas formas, como ansiedade, depressão, TOC, enxaqueca ou problemas estomacais”.
A terapeuta Shelly Dar concorda que as salas podem oferecer “alívio instantâneo” e permitir que a pessoa se sinta depois mais livre e tranquila, e defende que é saudável sentir raiva, desde que haja um espaço seguro para expressá-la.
Benefícios percebidos e cuidados a considerar
Frequentadoras relatam sensação de leveza, controle e redução do estresse após a sessão, comparando o efeito a um botão de reset ou a uma massagem vigorosa.
Proprietárias e terapeutas recomendam que essa prática seja complementada por outras formas de cuidado emocional, especialmente quando há histórico de trauma ou dificuldade persistente para lidar com a raiva.
Além da segurança física, é importante que os espaços ofereçam orientação e limites claros, e que a atividade não seja vista como substituto para acompanhamento psicológico quando necessário.
Empreendimentos do tipo citam origens variadas, incluindo relatos sobre o surgimento do conceito no Japão e iniciativas independentes, como a de uma mulher no Texas que criou uma sala na garagem, conforme apurado pelo g1.
Para quem pensa em experimentar, as recomendações são simples, use o equipamento de proteção fornecido, escolha um local estruturado e encare a sessão como uma ferramenta pontual de alívio, não como única estratégia para saúde mental.
O aumento da procura por salas da fúria levanta questões sobre como a sociedade lida com emoções, e sobre a demanda por espaços seguros para expressão, especialmente entre mulheres que sentem necessidade de liberar tensão acumulada.