Satisfação com trabalho em alta, 78,1% se dizem satisfeitos, 6,1% insatisfeitos, e remuneração é principal motivo apontado pelos trabalhadores na SMT

Resultados da Sondagem de Mercado de Trabalho apontam avanço da percepção de satisfação com trabalho, mínima da insatisfação na série, e remuneração como destaque entre queixas

A maioria dos entrevistados, 78,1%, declarou estar “satisfeita” ou “muito satisfeita” com o trabalho atual, segundo a oitava edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho.

Ao mesmo tempo, o percentual de respondentes “insatisfeitos” ou “muito insatisfeitos” ficou em 6,1%, o menor valor da série, e a remuneração foi apontada como principal motivo entre os insatisfeitos.

Os números foram divulgados na Sondagem de Mercado de Trabalho, do FGV Ibre, conforme informação divulgada pelo Valor Online e reproduzida pelo g1.

O que motiva a insatisfação

Entre os que declararam insatisfação, a remuneração é a queixa mais frequente, representando, “na média finda em janeiro, 60,5% dos insatisfeitos”. Esse item permite múltiplas respostas, por isso as opções somam mais que 100%.

Outros fatores citados com relevância foram saúde mental, com 24,8%, e carga horária elevada, com 21,9%, indicando que questões além do salário também pesam na percepção do trabalhador.

Por que a satisfação avançou

O avanço da percepção positiva parece ligar-se à evolução do mercado de trabalho, especialmente à queda da desocupação e ao crescimento da empregabilidade formal, segundo especialistas ouvidos pela pesquisa.

Em palavras do economista do FGV Ibre, Rodolpho Tobler, “A evolução favorável do mercado de trabalho nos últimos anos parece refletir nos dados sobre satisfação do trabalho, que seguem avançando. A mínima da taxa de desocupação, com melhora concentrada no trabalho formal, e a evolução da renda são fatores que tendem a influenciar a percepção dos trabalhadores sobre sua ocupação”, afirmou Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre.

O que esperar para 2026

Segundo a análise apresentada no levantamento, os primeiros dados de 2026 devem continuar apontando um mercado aquecido, mas a tendência para o ano é de desaceleração, acompanhada por um ritmo mais fraco da atividade econômica.

Na avaliação do instituto, essa mudança pode levar a uma estabilização ou leve recuo na percepção de satisfação com trabalho, ficando abaixo do ritmo observado em 2025.

Como ler os indicadores

Desde julho de 2025, o FGV Ibre divulga mensais indicadores sobre qualidade do emprego, com informações coletadas na população em idade para trabalhar de todo o país.

Os novos indicadores cobrem seis temas, entre eles satisfação com trabalho, chance de perder emprego, proteção social, renda suficiente, percepção geral e expectativa para os próximos seis meses. Como a série é recente, o instituto recomenda cautela na comparação histórica, e dedica os primeiros relatórios a detalhar quesitos e metodologias.