Selic em 15% ao ano, Copom mantém juros e sinaliza corte em março se inflação estiver controlada, mercado avalia efeito na atividade e no consumo
Com a Selic em 15% ao ano, Copom diz que pode iniciar flexibilização em março se cenário esperado se confirmar, porém reafirma restrição para garantir convergência da inflação
O Comitê de Política Monetária manteve hoje a taxa básica de juros, em decisão que confirma expectativa do mercado, e sinalizou que pode começar a reduzir a Selic já na reunião de março.
A decisão foi tomada de forma unânime pela autoridade monetária, apesar da persistência de pressões inflacionárias que justificaram o patamar atual dos juros.
No fechamento da introdução, vale registrar a fonte das informações, conforme informação divulgada pelo g1
Decisão e sinalização do Copom
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas, mas deixou clara a intenção de aliviar a política monetária no início do próximo trimestre. A decisão do Copom desta quarta-feira, que não alterou a Selic, foi unânime.
Em texto divulgado pelo colegiado, consta a seguinte orientação, “O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, escreveu o Copom.
O tom é de cautela, porque a autoridade condiciona o início do ciclo de cortes à confirmação de que a inflação estará mais controlada nos próximos meses.
Contexto histórico e reação do mercado
O atual nível da taxa não é comum, “O atual patamar é o maior em quase 20 anos – em julho de 2006, ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Selic estava em 15,25% ao ano.” Isso ajuda a explicar a atenção do mercado e do governo sobre qualquer movimento de redução.
A Selic está em 15% desde o fim de junho, e essa foi a quarta reunião seguida em que o Banco Central decidiu manter a taxa nesse nível. A maioria dos economistas do mercado financeiro já previam a manutenção.
No comunicado anterior, divulgado no mês passado, o Comitê havia informado que “a taxa será mantida nesse patamar por um ‘período bastante prolongado’ de tempo.” Essa frase mostra que a sinalização de março é condicional, e não automática.
Composição do Copom e vagas em aberto
O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e por oito diretores da autarquia. Em 2025, os diretores indicados pelo presidente Lula formaram maioria no colegiado, ou seja, eles são responsáveis diretamente pela decisão tomada.
Além disso, a reunião desta quarta teve dois votos a menos, por causa das saídas do diretor de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e do diretor de Política Econômica, Diogo Guillen. O governo ainda não indicou substitutos, o que deixa o colegiado temporariamente desfalcado.
Como o Banco Central define a Selic e por que mira projeções
Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo de 3% será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos. No documento, o presidente do órgão, Gabriel Galípolo, culpou a atividade econômica aquecida, o câmbio, o custo da energia elétrica, além de anomalias climáticas.
Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses. Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
O que vem pela frente
Com a sinalização do Copom, o mercado passou a trabalhar a hipótese de cortes a partir de março, mas mantém cautela, porque a decisão depende da evolução das projeções de inflação nas próximas semanas.
Do lado do governo, desde o ano passado, integrantes defendem redução dos juros, argumentando que o patamar elevado tem reduzido a atividade econômica. A combinação de promessa de cortes condicionais e risco de inflação persistente marca o cenário para os próximos meses.