Senatran lança Manual Brasileiro de Exames e explica como fica a baliza na prova prática da CNH, padroniza avaliação e afeta Detrans de 10 estados
O MBEDV muda o foco da manobra isolada para o comportamento ao volante, a baliza na prova prática da CNH deixa de ser obrigatória, e o exame passará a avaliar o tráfego real
A Secretaria Nacional de Trânsito, Senatran, publicou neste domingo o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, o MBEDV, que define regras nacionais para a prova prática da CNH.
Entre as mudanças, a avaliação da baliza na prova prática da CNH deixa de ser uma etapa obrigatória, e o exame passa a observar o condutor em situações reais de tráfego, segundo o novo manual.
O objetivo declarado é priorizar comportamento, leitura do ambiente e interação com outros usuários da via, em vez da memorização de movimentos isolados.
conforme informação divulgada pelo g1
O que muda na avaliação
O documento, chamado Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, altera o foco da prova prática, passando da execução de uma manobra específica para a avaliação do candidato em percurso, em via pública.
Em palavras citadas no manual, “a avaliação deixa de ser sobre uma manobra específica, feita em um espaço à parte e pouco representativa do dia a dia, e passa a observar o condutor em situação real de tráfego”.
Sobre a baliza, o texto afirma que “O que permanece [sobre a avaliação da baliza] é a finalização do percurso, momento em que o candidato deverá estacionar o veículo”, ou seja, a prova preserva a necessidade de estacionar, mas sem exigir a manobra isolada como etapa obrigatória.
Estados que já dispensaram a baliza
De acordo com a apuração do g1, dez estados e o Distrito Federal já não exigem a baliza na prova prática, e um 11º estado terá a mudança completa em fevereiro, quando o processo de transição em Mato Grosso se encerrar.
Entre os estados que deixaram de exigir a baliza recentemente estão São Paulo, Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Sergipe, além do Distrito Federal e Mato Grosso em processo gradual.
Outros Detrans informaram que aguardavam a publicação do manual antes de ajustar procedimentos, incluindo Acre, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, segundo levantamento do g1.
São Paulo, veículos automáticos e dados sobre frota
O Detran de São Paulo adotou duas mudanças importantes, entre elas permitir que candidatos usem veículos automáticos na prova prática, previamente liberados apenas a quem precisava de adaptação.
O órgão justificou a medida como forma de reconhecer a presença crescente dos automáticos na frota, e de ampliar opções para os candidatos, mantendo critérios técnicos já adotados nos exames.
O texto do g1 cita dados do Inmetro, mostrando que “apenas 121 dos 769 modelos e versões de carros vendidos no Brasil têm câmbio manual.”
Reações de especialistas
A mudança dividiu especialistas ouvidos pelo g1. A advogada especialista em direito de trânsito Laura Diniz avaliou que a retirada da baliza “não é positivo”, e afirmou que “Estacionar corretamente é uma situação cotidiana para qualquer motorista e, muitas vezes, um fator determinante para a fluidez e a segurança do tráfego. Ao retirar essa etapa do exame, corre-se o risco de habilitar condutores que ainda não possuem domínio suficiente do veículo”.
Por outro lado, a psicóloga especialista em trânsito Cecília Bellina disse não ser contra a retirada, e declarou “Eu não sou nem contra nem a favor da retirada da baliza. Sou contra mais uma mudança radical sem esperar o resultado da primeira, ocorrida há menos de dois meses”.
Cecília também manifestou preocupação com outras alterações na formação, como eventual redução das aulas práticas e o fim da obrigatoriedade da autoescola, pontos que, segundo ela, merecem análise antes de alterações abruptas no processo de habilitação.
O novo manual e as decisões dos Detrans devem ser acompanhados em cada estado para entender como as mudanças serão aplicadas localmente, e como elas afetarão a preparação de novos condutores.